Educação
Publicado em 17/09/2026, às 11h19 - Atualizado às 11h58 Gustavo Leal
Uma pesquisa divulgada pelo Instituto Semesp, nesta quarta-feira (16), evidenciou um desafio enfrentado pela educação brasileira: o envelhecimento do quadro de professores do ensino médio.
O número de docentes com até 24 anos de idade caiu 31,1% entre 2015 e 2025, passando de 17 mil para 12 mil profissionais. Em contrapartida, o contingente de professores com 60 anos ou mais aumentou 104,5% no período, saltando de 18 mil para 37 mil.
De acordo com o Instituto Semesp, o envelhecimento do quadro docente, aliado à intensa contratação de professores temporários e terceirizados, pode dificultar a renovação da rede pública. A pesquisa aponta um aumento de 40,4% nas contratações de professores temporários no ensino médio da rede pública em dez anos, passando de 146 mil para 205 mil.
“O principal desafio está na capacidade de formar, atrair e incorporar novos profissionais em ritmo suficiente para substituir aqueles que deverão deixar a carreira nos próximos anos”, comentou a presidente do Semesp, Lúcia Teixeira.
A projeção apresentada pela entidade indica que, em 2040, deverá haver um professor com até 24 anos para cada seis docentes com 60 anos ou mais. Em 2015, a proporção era de aproximadamente um professor com até 24 anos para cada docente com 60 anos ou mais.
Alguns fatores ajudam a explicar a queda no número de docentes jovens na rede pública. A falta de atratividade da carreira, a baixa remuneração e a sobrecarga de trabalho estão entre os obstáculos para a entrada de novos profissionais no mercado.
Segundo dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), um professor do ensino médio recebia, em média, R$ 6,5 mil mensais, cerca de 20% menos do que trabalhadores com ensino superior completo, que tinham remuneração média de R$ 8,1 mil.
Além disso, um indicador do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) apontou que 41,1% dos professores do ensino médio no país davam aulas para entre 50 e 400 alunos. A carga de trabalho aumenta com o volume de provas para corrigir, aulas para planejar e outras demandas da rotina escolar.
As disciplinas da área de Humanas apresentam algumas das menores taxas de renovação entre os professores, de acordo com o levantamento. Geografia aparece com índice de 0,216, seguida por História (0,234), Língua Portuguesa (0,240), Sociologia (0,263), Filosofia (0,274) e Artes (0,278).
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