Educação

Qual vai ser a redação do Enem 2025? Professora aponta possíveis temas e dá dicas aos candidatos; confira

Bruno Peres/Agência Brasil
Redação do Enem acontece já no próximo domingo (9); confira dicas  |   Bnews - Divulgação Bruno Peres/Agência Brasil
Vagner Ferreira

por Vagner Ferreira

Publicado em 05/11/2025, às 13h50



Uma das etapas mais aguardadas pelos candidatos do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) acontece já neste próximo domingo (9): a temida redação. A poucos dias da prova, as especulações sobre o tema se intensificam, alimentando a curiosidade e a preparação de milhões de candidatos que buscam a nota máxima.

A especialista em Metodologia do Ensino Superior e graduada em Letras Vernáculas, Ana Paula Menezes de Santana, conversou com a equipe do BNews e listou os principais eixos temáticos com potencial de serem cobrados na avaliação deste ano.

1. Os desafios da saúde mental entre os jovens brasileiros

Tese: A ausência de políticas públicas efetivas e o estigma social sobre doenças mentais dificultam o cuidado emocional da juventude.

Possíveis argumentos:

  • Falta de psicólogos e orientação nas escolas;

  • Pressões sociais e digitais que aumentam ansiedade e depressão;

  • Necessidade de campanhas de conscientização e acolhimento.

2. O impacto das mudanças climáticas na vida das populações mais vulneráveis

Tese: As mudanças climáticas intensificam desigualdades sociais, afetando principalmente comunidades pobres e periféricas.

Possíveis argumentos:

  • Enchentes, secas e deslizamentos em áreas sem infraestrutura;

  • Falta de políticas ambientais preventivas;

  • Importância da justiça climática e da educação ambiental.

3. Os limites éticos da inteligência artificial na sociedade contemporânea

Tese: A falta de regulamentação sobre o uso da inteligência artificial representa riscos éticos e sociais, como manipulação e perda de privacidade.

Possíveis argumentos:

  • Algoritmos que reforçam preconceitos;

  • Substituição de empregos humanos por máquinas;

  • Importância da ética digital e da transparência tecnológica.

4. O papel das redes sociais na propagação de discursos de ódio

Tese: O ambiente digital, ao permitir anonimato e alcance massivo, facilita a disseminação de discursos de ódio que comprometem a convivência democrática.

Possíveis argumentos:

  • Normalização da intolerância e da violência verbal;

  • Falta de regulação e punição efetiva;

  • Educação para o uso responsável das redes.

5. O consumo sustentável como caminho para o equilíbrio ambiental

Tese: O consumo consciente é uma responsabilidade coletiva para garantir o equilíbrio ecológico e o futuro do planeta.

Possíveis argumentos:

  • Excesso de resíduos e descarte incorreto;

  • Falta de incentivo à economia circular;

  • Papel da educação ambiental e das empresas sustentáveis;

  • Importância da COP30 em Belém do Pará.

A professora ressaltou a importância de os candidatos estarem sempre atentos às atualidades, por meio do consumo de notícias e de debates que envolvem questões políticas e sociais do Brasil.

Professora
Arquivo pessoal

Tais métodos, segundo ela, “amplia o repertório sociocultural, visto que a redação do Enem exige que o candidato use conhecimentos de diferentes áreas".

"Estar por dentro das notícia ajuda a ter exemplos concretos; ajuda a interpretar melhor os temas, que costumam a refletir debates atuais da sociedade brasileira; favorece a construção de argumentos sólidos, fazendo com que os alunos tenham contato com opiniões, análises e dados divulgados em jornais, revistas e portais confiáveis permite formular argumentos consistentes e críticos; e demonstra consciência cidadã, valorizando o aluno que mostra entendimento da realidade brasileira”, pontuou.

“Em resumo, estar informado mostra engajamento e senso crítico e se manter atualizado é transformar informação em argumento, e argumento em nota alta na redação”, acrescentou.

Repertório sociocultural

Outra dica sugerida pela professora, e que facilita no momento da escrita, é ter repertório sociocultural. Citações, referências históricas ou filosóficas, ajudam durante a construção do texto.

“Recomendo ter na ‘manga’ citações filosóficas clássicas, tais como Immanuel Kant, Jean-Paul Sartre, René Descartes, Aristóteles e Platão, filósofos que sempre têm pensamentos úteis, os quais podem ser aproveitados em temas variados de redação”, destacou Paula.

“Referências históricas e políticas são importantes para embasamento; por exemplo: Constituição Federal de 1988 e Declaração Universal dos Direitos Humanos. Pensadores como Paulo Freire, Darcy Ribeiro, Nelson Mandela, Martin Luther King e Carolina Maria de Jesus, dentre outros, ajudam a desenvolver argumentos e valorizam o texto”, continuou a professora.

Um dos grandes temores dos candidatos quando chegam na reta final dos estudos é não ‘zerar’ a redação e conseguir desenvolver uma tese e uma proposta de intervenção coerentes com a estrutura exigida pelo Enem.

“A principal dica é: leia com muito cuidado o tema, defina claramente uma tese e siga o modelo de estrutura exigido pelo Enem (introdução – desenvolvimento – conclusão com proposta de intervenção). Parece simples, mas é justamente aí que a maioria erra”, disse.

Entre os erros que anulam automaticamente o texto, a professora cita:

  1. Fugir ao tema — escrever sobre algo diferente do que foi pedido.
    Solução: sublinhe as palavras-chave do tema e pense: “De que problema social o Enem quer que eu fale?”

  2. Não ter estrutura dissertativa-argumentativa
    → O Enem exige introdução, desenvolvimento e conclusão. Poemas, cartas ou narrativas zeram.

  3. Texto insuficiente (menos de 7 linhas)
    → Mostra falta de argumentação; o ideal é cerca de 20 linhas bem estruturadas.

  4. Desrespeitar os direitos humanos
    → Nunca proponha punições violentas ou preconceituosas. A proposta precisa ser ética e empática.

  5. Trechos decorados sem relação com o tema
    → Citações genéricas e “enfiadas à força” são penalizadas. Use o repertório com pertinência.

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Classificação Indicativa: Livre

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