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Antes de enfrentar o câncer que levou à sua morte, Netinho viveu um dos períodos mais difíceis de sua vida longe dos palcos. Em 2013, o cantor baiano sofreu uma grave crise de saúde, passou meses hospitalizado e precisou reaprender a lidar com limitações físicas.
Depois da recuperação, decidiu falar publicamente sobre o tratamento que havia feito e apontou um médico como responsável pela prescrição de substâncias que, segundo ele, contribuíram para o drama vivido.
A polêmica ganhou novos capítulos em julho de 2016, quando o artista revelou o nome do médico Mohamad Barakat. Em um desabafo publicado nas redes sociais, Netinho afirmou que havia reunido documentos relacionados ao acompanhamento, incluindo receitas e mensagens trocadas com o profissional e sua equipe.

O cantor acusou Barakat de prescrever e vender anabolizantes, hormônios, insulina e suplementos. O médico contestou as acusações. As declarações de Netinho, por si só, não estabelecem que essas substâncias tenham causado todas as complicações que ele enfrentou.
Os primeiros problemas apareceram em abril de 2013, quando Netinho procurou atendimento após sentir dores. Exames identificaram alterações no fígado e, durante uma biópsia, houve o rompimento de uma artéria, provocando uma hemorragia.
O quadro exigiu cuidados intensivos e transferência para o Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. A recuperação foi longa e incluiu complicações neurológicas, além de uma série de procedimentos e sessões de reabilitação.
O impacto físico foi tão intenso que o cantor chegou a pesar cerca de 50 quilos. Em 2014, ao voltar à televisão no Domingão do Faustão, ele contou que havia usado anabolizantes durante um tratamento de reposição hormonal.
Na ocasião, Netinho relatou que procurou um médico porque queria melhorar o sono e ter mais disposição diante da rotina de viagens e shows. Disse que recebeu uma receita e confiou na orientação por estar sob acompanhamento profissional.
A frase que resumiu parte do relato de Netinho foi dita durante a entrevista ao programa da Globo, em fevereiro de 2014. Ao falar sobre a aquisição das substâncias, o cantor afirmou: “Ele me vendia”.
Dois anos depois, o artista tornou pública a identidade do profissional e disse ter recuperado documentos que, segundo ele, ajudariam a comprovar sua versão. O episódio transformou a experiência pessoal de saúde em uma disputa pública, com acusações de um lado e contestação do outro.
Netinho também passou a alertar sobre os riscos do uso de anabolizantes, especialmente quando associados à busca por mudanças físicas ou à promessa de melhorar o desempenho. A história, no entanto, exige uma distinção importante: o cantor relatou o uso das substâncias e atribuiu responsabilidades ao médico, mas isso não equivale, por si só, a uma comprovação médica ou judicial de causalidade.
Depois de retomar gradualmente a carreira, Netinho enfrentou outro grave problema de saúde. Em 2025, recebeu o diagnóstico de linfoma não Hodgkin, um tipo de câncer que afeta o sistema linfático. A doença voltou a se manifestar em 2026, levando o cantor a retomar a quimioterapia e a ser internado em Salvador.
Netinho morreu aos 60 anos, nesta terça-feira (13), após enfrentar a doença.
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