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Arqueóloga faz revelação sobre bipolaridade: "Tratamento errado me fazia transar com desconhecidos"

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JOvem comentou sobre os transtornos identificados desde a adolescência  |   Bnews - Divulgação Reprodução / Pixabay
Andreza Oliveira

por Andreza Oliveira

Publicado em 19/08/2024, às 19h45



Uma arqueóloga, identificada como Ana, de 26 anos, foi diagnosticada com transtorno bipolar afetivo (TAB) tipo 2 aos 18 anos. O problema é caracterizado por crises depressivas de automutilação e ideações suicidas.  No entanto, o tratamento errado da condição, com antidepressivo, fez com que ela apresentasse episódios de hipomania, onde o indivíduo se sente invencível, colocando-se facilmente em situações de risco. 

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Após passagens por diferentes psiquiatras, ela se deparou com remédios que trouxeram estabilidade na situação, conquista alcançada graças ao processo terapêutico. As informações da matéria foram retiradas do portal VivaBem, da UOL. 


"Comecei a ter episódios depressivos aos 10 anos. Não queria ir à aula, não conseguia assimilar o conteúdo e tinha dificuldade de socialização. Além disso, me sentia extremamente vazia, o que fez com que eu começasse a cogitar a ideia de suicídio”, começou. 


“Eu sabia exatamente como eu queria morrer e acredito que esses episódios de planejamento vinham da minha mãe, que era uma pessoa bastante depressiva e falava como iria se suicidar”, descreveu. 


“Aos 12, o processo de depressão estava tão intenso que comecei a ter alucinações. Via pessoas tocando em mim, vultos, como se fossem demônios. Nesta época, ela resolveu me levar para igreja. Quando esses episódios aconteciam, eu deitava em posição fetal e chorava muito, a nível de chegar a gritar. Os vizinhos vinham saber o que estava acontecendo e minha mãe falava que eu estava com enxaqueca ou alguma dor no corpo”, explicou. 


Ela contou que a primeira vez que foi em uma psicóloga foi aos 16 anos, depois que assumiu ser bissexual. “Foi um período de muitos conflitos internos que estavam relacionados principalmente à crença religiosa do meu meio familiar. Pensava que Deus estava me condenando ao inferno pela minha sexualidade. Além disso, eu não era aceita dentro de casa e isso fez com que os episódios de depressão aumentassem e, como solução para toda dor que sentia, eu me punia, me mutilava”, disse. 


“Acredito que a mutilação era uma forma que meu cérebro encontrou para pedir socorro em relação a tudo que eu estava sentindo. Nesse período, fui fazer um exame de rotina em um posto de saúde e a médica viu os cortes. Ela me encaminhou para um clínico geral que me receitou antidepressivo e remédio para insônia. Foi a primeira vez que tive contato com medicação controlada. O remédio acabou piorando o meu quadro depressivo. Eu não conseguia parar de chorar e já estava sem dormir há três, quatro dias. Estava começando a ficar completamente enlouquecida, então decidi parar a medicação por conta própria”, falou. 


Ana contou que quando completou 18 anos as mutilações passaram a ter mais gravidade. “Não queria mais viver. Minha mãe me levou ano Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), onde tive uma consulta de cinco minutos em que o psiquiatra me diagnosticou com bipolaridade e me passou um antidepressivo”, contou. 


‘Esse medicamento acabou sendo um gatilho para uma virada de chave na minha cabeça. Foi nesse momento que os episódios de hipomania e euforia começaram. Minha vida se tornou ainda mais caótica. Oscilava de humor várias vezes na semana e, às vezes, várias vezes no mesmo dia. Os episódios de euforia eram marcados pelo uso excessivo de álcool, misturado com remédios controlados, e maconha. Me colocava sempre em situações de risco, por me sentir inabalável naquele momento, sensação que era potencializada pela bebida alcoólica. Nesses episódios, pegava carona com pessoas desconhecidas e andava de moto em alta velocidade, pulava o muro do cemitério, deitava em cima dos túmulos para beber”, acrescentou. 


Ela aproveitou o momento para contar que após ser abusada sexualmente aos 20 anos, parou de beber e retornou ao psiquiatra, no entanto, quando se sentia melhor, abandonava o tratamento. 


“Comecei o tratamento de transtorno bipolar com lítio, o que me fez ficar estável por cerca de dez meses. Só que acabei abandonando o remédio por sentir que não precisava dele. Não tinha mais crises de depressão e nem de euforia, mas não durou muito e eu acabei trocado o vício da bebida pelo do sexo. Tinha relações sexuais recorrentes, com pessoas distintas. Eu as conhecia em plataformas de aplicativo e, às vezes, no mesmo dia, estava na casa delas e passava semanas transando. Tinha uma falsa sensação de controle da minha própria vida porque tinha saído de casa para ir estudar em outro estado e não tinha mais o envolvimento com a religião”, disse. 


“O psiquiatra começou a tratar a depressão, passando por todo um processo de acompanhamento, em que ele foi introduzindo medicação e tirando. Até que ele começou a usar estabilizador de humor e ansiolítico. Permaneci com esse psiquiatra até os 24 anos e, então, ele fechou o meu diagnóstico de bipolaridade com mais traços depressivos”, acrescentou. 


Ela contou também que deixou o acompanhamento por causa da distância, e pela idade do profissional, que era um idoso e não conseguia atendê-la por telemedicina: “Continuei o acompanhamento com um psiquiatra do SUS, que só fazia a manutenção dos remédios”. 


*O nome da personagem foi trocado a pedido dela, a fim de preservar sua identidade

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