Entretenimento
por Antonio Dilson Neto
Publicado em 03/06/2026, às 19h10 - Atualizado às 19h17
A Associação Nacional das Baianas de Acarajé (ABAM) publicou uma nota oficial em suas redes sociais para manifestar repúdio contra a criação e a divulgação de uma versão do acarajé nas cores verde e amarela. No comunicado, assinado pela presidente da entidade, Rita Santos, a associação critica diretamente a imprensa baiana pelo espaço dado à descaracterização do quitute tradicional e cobra responsabilidade dos veículos de imprensa.
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A entidade enfatizou que o acarajé ultrapassa o conceito de um alimento comercial comum, sendo reconhecido oficialmente como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) desde o ano de 2005.
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Segundo a nota, o modo de fazer, a receita e o simbolismo do prato estão diretamente vinculados à ancestralidade e às religiões de matriz africana, constituindo um legado histórico preservado há séculos.
A associação argumentou que, embora compreenda a existência da criatividade no setor gastronômico, a publicidade em torno da alteração de cores e de elementos tradicionais enfraquece o entendimento público sobre o valor do patrimônio.
A diretoria da ABAM destacou o papel histórico das baianas como as primeiras empreendedoras do país e reforçou o papel do bolinho na cultura baiana:
O acarajé tradicional carrega a identidade e a resistência das mulheres negras e dos povos africanos no Brasil. Não permitimos que a moda e a onda do momento macule nossos mais de 300 anos de tradição", diz trecho do documento divulgado.
Ao final do manifesto, a ABAM fez uma convocação formal para que canais de televisão, emissoras de rádio, jornais impressos e portais de notícias respeitem o Ofício das Baianas de Acarajé. A entidade solicita que as associações guardiãs da tradição sejam ouvidas sempre que os meios de comunicação decidirem pautar o tema.
Defender o acarajé é defender a memória, a identidade e a história do povo brasileiro", concluiu Rita Santos.
O acarajé mencionado pela associação foi criado por Adriana Ferreira, do Acarajé da Drica, que trabalha há 20 anos na área e é conhecida por criar outras variantes do quitute. Entre elas, o acarajé rosa para a estreia do filme da boneca Barbie, o acarajé servido em uma barca de sushi e o ovo da Páscoa feito de acarajé.
Desta vez, a baiana usou corante de bolo para homenagear as cores da bandeira do Brasil, mas garantiu que a alteração na receita não mudou o sabor do acarajé.
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