Entretenimento
por Andreza Oliveira
Publicado em 13/07/2025, às 11h56
A biografia de Arlindo Cruz, que foi lançada recentemente, ‘O Sambista Perfeito’, conta não só a trajetória do artista, como destaca a força e resiliência de Babi Cruz, que caminha ao lado do músico há 40 anos.
Eles se conheceram quando ela ainda tinha 14 anos, mas já era uma estrela do samba. Quando ouviu do cantor, pela primeira vez, que ele queria viver com ela 'para o resto da vida'.
"No cenário do carnaval carioca, eu sempre fui a Babi porta-bandeira, e não a Babi Cruz. A Babi que criou vários critérios para as escolas de samba. O Arlindo era o namorado da Babi. Não era a Babi que era a namorada do Arlindo", conta a empresária, de 54 anos.
Nas quatro décadas de romance, ela viveu momentos de alegrias e dores, como um aborto enfrentado aos 15, experimentou cocaína após descobrir o vício de Arlindo, compôs samba com o cantor e superou um caso extraconjugal do marido, que, desde março de 2017, vive limitado por conta de um AVC hemorrágico.
Entre tantas histórias contadas no projeto, escrito pelo jornalista Marcos Salles, também há um relato profundo da trajetória da ex-porta-bandeira da Mocidade.
Algumas histórias, entretanto, ficaram de fora. “Tem coisas que eu guardo na minha memória e no meu coração e que eu vou levar para o túmulo, porque é só nosso, da nossa vida", confessa Babi. Uma delas é sobre a dor de ver o marido há anos em uma cama hospitalar, sem se comunicar.
"Ninguém viu a Babi emagrecer 25 kg e depois engordar mais de 30. Ninguém viu o cabelo da Babi cair todo e eu ficar quase careca, tendo que usar peruca. Ninguém viu o meu sofrimento, a minha solidão, a minha depressão. Conheci o buraco mais fundo do que o fundo do poço. Meus filhos diziam: 'Mãe, você vai morrer e meu pai vai ficar aí'. Eu só tomava água, café, remédio para depressão e fumava cigarro. Foram cinco anos e meio dormindo sozinha.", desabafa.
A fala se refere às críticas recebidas depois que ela começou a namorar com André Caetano, cinco anos e meio depois do acidente de Arlindo Cruz. Este tema é citado em detalhes no livro, com narração da própria, onde fala como contou para os filhos, Arlindinho e Flora, sobre a solidão que sentia e que iria se abrir para o amor.
"Há uns dois anos, já vinha conversando com os meninos. Comecei a reclamar da solidão, que estava grande, muito grande. Nossa cama era uma king, troquei para uma queen e ainda estava grande. Vim para uma de casal comum e já estava indo para uma de solteiro, porque o espaço vazio, sem ter a perspectiva de ser preenchido, já começava a me doer", diz ela, num trecho da biografia.
“Sou uma mulher muito transparente. E essa solidão é o que me condenava. Não foi a falta de sexo que me fez pensar num novo relacionamento. Foi a solidão. Eu passei a minha vida inteira casada, com meu marido do meu lado, entre idas e vindas, aos trancos e barrancos, como qualquer relacionamento, e essa solidão foi o que somou para que eu pudesse abrir meu coração para ter um relacionamento. A gente só tem essa vida", explicou Babi.
A situação fez com que ela buscasse meios de criar uma lei que reconheça juridicamente a situação de pessoas na mesma situação que ela.
“Não sou separada, não sou viúva, nem solteira. Tenho um marido com o diagnóstico de inconsciência definitiva, que não volta mais, que não tem a possibilidade de ter uma vida consciente. E esse estado civil, pela lei, não existe. Dezenas de pessoas me procuram e contam suas situações. Tem um que me marcou muito, que é o de um homem cuja mulher sofreu um acidente de moto, está inconsciente há 13 anos, ele se casou novamente, tem uma filha do novo relacionamento e está com dificuldade de registrar a menina porque precisava da autorização da esposa dele”, conta.
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