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Consentimento, comunicação e limites: Entenda como tabus afetam a percepção da prática do BDSM

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Consentimento no BDSM é o pilar fundamental para a comunidade de praticantes  |   Bnews - Divulgação Ilustrativa / FreePik
Natane Ramos

por Natane Ramos

Publicado em 16/05/2025, às 05h00



As práticas de BDSM  (Bondage, Disciplina, Sadismo, Masoquismo) costumam ser associadas a estigmas muitas vezes pejorativos que não expressão a totalidade do mundo liberal. Neste universo, a dor e submissão são elementos que chamam mais atenção dos curiosos. No entanto, os principais pilares desta comunidade são: o consentimento, comunicação e respeito dos limites.

Para desmistificar os tabus ligados ao BDSM, o BNews entrou em contato com a pesquisadora de sexualidade e CMO do Sexlog — a maior rede social de sexo e swing da América Latina — Mayumi Sato, que relatou o que é a prática para quem ainda tem uma estigmatizada sobre o assunto.

“BDSM é um universo muito amplo de práticas que misturam sensações e jogos de poder, podendo incluir ainda diferentes níveis de interação entre pessoas, lugares e objetos. A sigla vem de Bondage (que é a restrição de movimentos, usando algemas por exemplo), Disciplina (com regras, rituais e punições), Sadismo (que é o prazer em proporcionar sensações mais intensas, seja pela dor ou o simples ato de comandar) e Masoquismo (o prazer em receber essas sensações, pela dor física ou pela entrega ao outro). Mas o que realmente une tudo isso é a comunicação clara, o consentimento mútuo e o respeito aos limites combinados – sem isso, não é BDSM”, destacou.

Mayumi relata que “há muitas maneiras de explorar práticas BDSM e fetichistas”, mas algo que não pode faltar é um cuidado prévio sobre o que é aceito ou não no momento do role play. “Essas premissas são importantes para criar um ambiente de segurança e respeito, tornando a experiência em si segura e prazeroso”, informou, destacando o levantamento do Sexlog que aponta que 39.54% dos usuários preferem explorar a prática com parceiros fixo e com confiança e diálogo.

Afinal, o que é consentimento dentro do BDSM e quem detém o verdadeiro poder?

Mão segurando uma algema / Reprodução / Freepik
Mão segurando uma algema / Reprodução / Freepik

No imaginário popular, não há espaço para o consentimento dentro do BDSM, porém, como alertado por Mayumi, essa é uma peça que não pode faltar nesses tipos de relacionamentos que podem ser por prazer sexual ou apenas dinâmicas de poder. “Consentimento é um acordo verbal, explícito e contínuo sobre o que cada um está disposto a viver. Não dá para deduzir, é preciso falar, ouvir e checar o tempo todo. Se há dúvida, é preciso pecar pelo zelo e não ir além do que está muito bem dito. O sim só vale se for dado de maneira clara e entusiasmada por ambos. É uma via de mão dupla, é preciso saber ouvir e também é importante saber se expressar”, destacou.

“O mito mais comum é achar que quem domina tem o controle total. Na verdade, quem está em submissão dá os limites e, portanto, detém o poder de parar a qualquer momento. Outro equívoco é enxergar BDSM como algo gratuitamente violento ou doloroso. Se faltar respeito, comunicação e consentimento, não é BDSM, é abuso, e não podemos confundir as coisas”, refletiu.

E a comunidade?

Devido aos diversos preconceitos, essa é uma comunidade que, em sua maioria prefere manter-se mais discreta. De acordo com um levantamento da Sexlog para o BNews, cerca de 31.10% dos usuários da plataforma praticam e gostam do BDSM, enquanto 52.69% possuem curiosidade para entrar neste meio. Entre essas práticas, 39.52% identificam-se como dominantes, enquanto 12.57% como submissos.

Em entrevista ao BNews, Arthur, um praticante de BDSM que preferiu não informar seu nome completo para evitar represálias, relatou como enxerga as práticas de dominação e submissão. “BDSM é visto de fora como perversão sexual, o que de fato é o contrário, já que muitas práticas nem mesmo envolvem sexo. Muitas pessoas usam como uma forma de alívio, seja dos dogmas da sociedade, da rotina, ou de si mesmo. Em casos como o Role play, a pessoa tem a chance de deixar de lado seus problemas e alcançar um headspace totalmente diferente. Por isso o entendimento da nossa sexualidade, desejos e formas de prazer devem ser discutidas mais abertamente, para criar um espaço seguro onde podemos ter nossas práticas sem julgamentos”, destacou.

“Não é com qualquer pessoa que podemos conversar sobre ser adepto do BDSM, justamente pela má representação nas mídias ou pela ideia que somos depravados ou libidinosos. Eu como pessoa demissexual não busco sexo fácil, sem conexão, é o apelo de receber a permissão da outra pessoa para uma sessão em que ambos gostem da mesma coisa, dividir algo além do que é visto como convencional”, relatou.

Arthur revelou que o BDSM está para além de práticas sexuais. “Um dos mitos é que existe uma ‘cara’ para quem é praticante, não existe isso, qualquer pessoa pode ser adepta, todos tem seus fetiches e preferências, não é possível apontar para alguém e dizer que ele ou ela não é ou é praticante do BDSM, e acredite existem muito mais pessoas interessadas do que você imagina. Outro mito que já comentei antes é a ideia que apenas práticas sexuais são BDSM, existem pessoas por exemplo que desejam apenas ser subservientes ao seu dominador/a. Outros podem apenas querer usar uma determinada peça de roupa, e por aí vai”, acrescentou.

Como explicado por Mayumi e Arthur, há muito mais no mundo liberal do que a sociedade se permite enxergar. Os selos de “depravados”, “violência” e “não consentimento” mostram-se cada vez mais como uma narrativa repleta de preconceitos. Um outro dado da pequisa do Sexlog evidencia que o BDSM pode ser uma prática além do erotismo, tendo em vista que 30.68% dos usuários da plataforma estão mais interessados em explorar limites e sensações diferentes, e 10.70% querem poder confiar e se entregar a outra pessoa.

Classificação Indicativa: Livre

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