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Evangélica, produtora de conteúdo adulto desiste de desfilar no Salgueiro após enredo sobre Candomblé

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Debora Peixoto decidiu abrir mão de desfilar como destaque de carro alegórico  |   Bnews - Divulgação Reprodução/Redes Sociais
Melissa Lima

por Melissa Lima

melissa.lima@bnews.com.br

Publicado em 20/01/2025, às 22h50



A influenciadora Debora Peixoto desistiu de desfilar no Salgueiro como destaque de carro alegórico no Carnaval 2025. A escolha tem a ver com o samba-enredo da escola, intitulado 'Salgueiro de Corpo Fechado', que exalta as religiões de matriz africana. Para Débora, a decisão foi necessária, já que é evangélica.

“Cresci em uma família que me ensinou valores cristãos muito fortes. O Carnaval sempre foi algo que amei, mas participar de um enredo que fala sobre práticas que não condizem com minha fé seria uma contradição para mim. Tenho medo de decepcionar minha família e de ser julgada por aqueles que compartilham da mesma fé que eu”, declarou a influenciadora.

A canção que embala o desfile possui trechos que detalham práticas religiosas, como: “Prepara o alguidar, acende a vela / Firma ponto ao sentinela, pede a bênção pra vovô / Faz a cruz e risca a pemba / Que chegou Exu Pimenta e a falange de Xangô”.

Debora, que é criadora de conteúdo adulto, disse ainda que não conseguiu conciliar sua participação com suas crenças. “Minha fé é um pilar importante na minha vida. Entendo a relevância cultural e histórica do enredo, mas não posso ignorar o impacto que isso teria nos meus princípios e na forma como minha família e minha comunidade enxergam isso”, afirmou.

A composição do Salgueiro para o Carnaval 2025 é de Xande de Pilares, Pedrinho da Flor, Betinho de Pilares, Renato Galante, Miguel Dibo, Leonardo Gallo, Jorginho Via 13, Jefferson Oliveira, Jassa e W.Correa.

Leia a letra do samba-enredo na íntegra:

Prepara o alguidar acende a vela

Firma ponto ao sentinela, pede a benção pra vovô

Faz a cruz e risca a pemba

Que chegou exu pimenta e a falange de xangô

Tem erva pra defumar, carrego o meu patua

Adorei as almas que conduzem meu caminho

Ê mojubá Marabo invoque a lua

Que o povo da encruza não vai me deixar sozinho

Sou herança dos malês, bom mandingo e arisco

Uso a pedra de corisco pra blindar meu dia a dia no tacho arruda e

Alecrim ooo!

Bala de chumbo contra toda covardia

Tenho a fé que habita o sertão, de Lampião, o cangaceiro

Feito moreno eu vou viver, mais de cem anos, no meu Salgueiro

Sou espinho qual "fulô" de macambira

Olho gordo não me alcança

Ante o mal a pajelança pra curar

Sempre há uma reza pra salvar

O nó desata, liberdade pela mata

E os mistérios do axé, meu candomblé

Derruba o inimigo um por um

Eu levo fé no poder do meu contra egum

Salve Seu Zé, que alumia nosso morro

Estende o chapéu a quem pede socorro

Vermelho e branco no linho trajado

Sou eu malandragem de corpo fechado

Macumbeiro, mandingueiro, batizado no gongá

Quem tem medo de quiumba, não nasceu pra demandar

Meu terreiro é a casa da mandinga

Quem se mete com o salgueiro acerta as contas na curimba

Classificação Indicativa: Livre

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