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Ex de jogador do Palmeiras relata espancamento e desmaio após agressão do atleta em depoimento à polícia

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Ana Clara Monteiro, ex-namorada do jogador Caio Paulista do Palmeiras, registrou boletim de ocorrência contra o atleta  |   Bnews - Divulgação Reprodução / Redes Sociais
Tiago Di Araújo

por Tiago Di Araújo

tiago@bnews.com.br

Publicado em 18/09/2024, às 07h51



Três dias depois de uma publicar nas redes sociais que foi vítima de agressões do jogador Caio Paulista, a tatuadora Ana Clara Monteiro, de 21 anos, prestou depoimento à polícia. A jovem registrou boletim de ocorrência contra o atleta do Palmeiras, que nega as acusações, e detalhou as violências física e psicológica ao longo dos dois anos de relacionamento.

No depoimento, que teve o conteúdo divulgado pelo portal Uol, ela contou que os dois se conheceram em 2022, quando ela trabalha como caixa em uma boate, no Rio de Janeiro, época em que ele jogava pelo Fluminense, e pouco depois passaram a morar juntos.

Em questão de poucos meses, em setembro daquele ano, a tatuadora relatou ter sofrido a primeira agressão depois de descobrir uma traição do atleta, que chegou a proibí-la de trabalhar e mantê-la em casa. Na ocasião, ela teria identificado um vídeo de Caio com uma mulher, nas redes sociais, e decidiu sair de casa.

Porém, com a chegada do jogador, por volta das 5h, com sintomas de embriaguez, teria sido impedida e espancada. "Ela dizia 'eu quero terminar! eu não aguento mais isso! não estou mais feliz'. Nesse momento, ele passou a agredi-la fisicamente, desferiu um chute no seu joelho e ela foi ao chão. Então ele passou a agredi-la com chutes na costela, coxa e pés", diz trecho do boletim de ocorrência.

Clara contou que após agressões, ele teria chorado e pedido desculpas, quando a deixou trancada em casa para ir ao treino, e ao retonar alegou que estava sob efeito de álcool, convencendo a jovem a continuar no relacionamento, que traria posteriormente novos episódios semelhantes.

Em janeiro de 2023, o casal se mudou para São Paulo, por causa da transferência do atleta para o Palmeiras, época em que a tatuadora estava grávida da filha Maria Clara. No depoimento, ela contou que voltou a ser agredida no dia 22 de outubro depois que saiu para uma boate por ter sido deixada em casa sozinha por Caio desde o dia anterior.

"Ele lhe enviou mensagem mandando que ela saísse do local, dizendo que se ele entrasse, seria pior. A declarante não tem mais as mensagens devido a um problema no seu celular. Quando ela saiu, por volta de 02:40 da manhã da madrugada do dia 22/10/23, ele a empurrou pelo cabelo [coque], mandando que ela entrasse no carro. A cunhada e o noivo estavam no veículo. Ela segurou na lateral do carro para não entrar, e ele a forçou, a empurrou e lhe desferiu um soco (um gancho) no rosto. A declarante acredita que tenha desmaiado", contou no boletim.

A agressão resultou em hematomas no rosto, fotografado pela jovem, que optou não procurar atendimento médico e novamente perdoou o atleta. Ele teria novamente pedido desculpas e para seguir com o relacionamento adiante.

agressao

Poucos meses depois, em fevereiro deste ano, mais um episódio de agressão culminou na separação do casal. Os dois teriam discutido após uma mulher entrar no camarote do jogador, em uma boate de Tatuapé, e pegar bebida. Em meio ao desentendimento, Caio teria dado um "murro" em sua boca. Porém, o relacionamento só chegou mesmo ao fim cerca de três meses depois, em maio, quando eles entraram em litígio.

Em nota, a defesa de Ana Clara Monteiro reforça o depoimento da jovem e reafirma as agressões sofridas.

"No dia de hoje, 17 de setembro de 2024, em procedimento conduzido pela Delegada de Polícia Dra. Cristine Nascimento G. Costa, da Delegacia de Defesa da Mulher (01ª DDM), nossa cliente Clara Monteiro prestou depoimento para apuração dos fatos referentes às agressões sofridas por ela durante seu relacionamento com o Sr. Caio Fernando de Oliveira, noticiadas no último sábado, dia 14 de setembro de 2024, em suas redes sociais. Sobre a ação na esfera cível, tendo em vista que o processo tramita sob segredo de Justiça, não serão reveladas mais informações além das já noticiadas na nota anterior. No momento oportuno serão prestadas atualizações sobre os desdobramentos do caso".

Já a defesa do jogador reitera a inocência do cliente e garante não ter ocorrido as agressões relatadas pela vítima.

"Estamos recebendo de forma voluntária diversos relatos que desmentem as versões de agressões e comprovam a inocência do Caio. Quando tivermos acesso ao depoimento que foi dado na Delegacia da Mulher, vamos nos posicionar publicamente. Aproveito para informar que estamos compartilhando todas essas informações com o Palmeiras, e que a advogada Sônia Canale segue defendendo o Caio no processo que corre em segredo de Justiça na Vara de Família", afirmou a advogada Ana Beatriz Saguas.

Procurado, o Palmeiras também se manifestou ao informar que procurou o atleta para esclarecimento e que seguirá acompanhando os desdobramentos.

"A Sociedade Esportiva Palmeiras esclarece que, tão logo tomou conhecimento sobre a carta aberta publicada pela mãe de um dos filhos do atleta Caio Paulista em uma rede social, o jogador foi convocado pela diretoria para uma reunião, ocorrida na noite de sábado. Questionado a respeito do relato e das imagens divulgados, Caio Paulista negou ter cometido qualquer agressão e disse não haver processo ou investigação contra ele na esfera criminal. É de conhecimento público que o Palmeiras não tolera qualquer forma de violência e tem no respeito pela mulher um de seus valores fundamentais. Todos os colaboradores do clube devem seguir as normas de conduta estabelecidas internamente, que preveem diferentes medidas punitivas, a depender da gravidade do fato e da comprovação penal. O Palmeiras seguirá acompanhando o caso com a devida atenção".

Classificação Indicativa: Livre

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