Entretenimento
por Natane Ramos
Publicado em 19/02/2026, às 21h17
O Carnaval de Salvador de 2026 trouxe à tona os holofotes de desentendimentos presentes nos bastidores da folia. Um dos assuntos mais comentados foi como o Bloco Crocodilo, comandado por Daniela Mercury, deveria abrir a festividade.
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Em entrevista ao BNews Agora, apresentado por Victoria Alves, na Itapoan FM (97,5), nesta quinta-feira (19), a empresária Malu Verçosa, esposa de Daniela Mercury, revelou o que justifica o motivo pelo qual a cantora deve ser a responsável por abrir o Circuito Dodô (Barra-Ondina).
A jornalista destaca a história de como Daniela começou a se apresentar no circuito "Dodô". "Para deixar bem claro, antes de 96 existia o circuito Dodô, que a gente chamava de Barra-Ondina. Mas esse circuito Barra-Ondina só funcionava de quinta a sábado para blocos alternativos. O ano que Daniela resolveu ir para a Barra, o Crocodilo já era um bloco consolidado com 10 anos de existência, ela já tinha uma carreira consolidada, estava no auge da carreira", explicou.
Verçosa destaca como este era um ano de destaque para Daniela, que havia lançado seu quarto álbum de estúdio, o "Feijão com Arroz". No entanto, mesmo com todo sucesso, Mercury não conseguia espaço no Circuito Campo Grande.
"Ela não conseguia espaço no Circuito Campo Grande, que era onde de fato acontecia o Carnaval de Salvador no domingo, segunda e terça. Ela não conseguia espaço lá em cima, só horários muito tarde. Então, ela resolveu em 96 descer com o bloco Crocodilo, que foi uma atitude ousada de coragem", relembrou a jornalista.
Neste ano, Daniela inovou ao fazer um camarote para mostrar o projeto à imprensa, pois antes não tinha grandes desfiles do Carnaval do circuito Barra-Ondina, e ela fez esse projeto para atrair o olhar da mídia para esse espaço, que hoje reconhecemos como um dos que abriga uma das maiores folias da capital baiana. "O que existia antes de 96 eram os blocos alternativos de quinta e sábado. O Crocodilo foi o primeiro bloco tradicional, bloco grande, que não era alternativo, a descer em 96. E lá permaneceu todos os anos até hoje, o Crocodilo nunca deixou de desfilar nem mudou a atração. Então, é o bloco mais antigo no circuito Barra-Ondina, e foi o bloco, através de Daniela, que consolidou o circuito domingo, segunda e terça", reforçou.
Quem veio antes de Daniela e por que não ocupam esse local de abertura?
Malu explica como a antiguidade sempre foi o critério a se avaliar quanto à decisão de quem abriria o Carnaval de Salvador. A empresária destaca que, antes de Daniela, existiam blocos alternativos, mas que nenhum deles existe atualmente, o que torna o Crocodilo o mais antigo neste circuito em atuação, e o que deveria, de acordo com as palavras da jornalista, ocupar esse local histórico e de reconhecimento.
"Esses blocos que eu já falei aqui não existem mais, eles só foram desfilar domingo, segunda e terça, porque Daniela resolveu descer com o Crocodilo, e como o circuito seria o desfile dela", relatou.
Após Daniela, o que mudou no Carnaval do circuito Barra-Ondina?
Após essa grande jogada de Daniela Mercury — que buscava maior visibilidade, então disputada no Circuito Campo Grande — ao ir para a Barra, outros grandes artistas também fizeram essa migração.
"O primeiro ano do Olodum na Barra, nos dias tradicionais, foi em 98. A Timbalada em 99, o Camaleão, em 2009 (...) Todo mundo desfilava no Campo Grande. Se você pegar uma análise do próprio levantamento feito pela prefeitura, você vê que o Crocodilo foi sendo empurrado e o Carnaval que começava às 17h, passou a começar às 14h30", relembrou.
Apesar de todo o envolvimento da artista em tornar o Carnaval da Barra no que conhecemos hoje como um dos maiores do Brasil, esse reconhecimento não é visto atualmente, com o Bloco Crocodilo se apresentando em horários que não condizem com sua trajetória. "Então, o que ele foi empurrado lá, ficou uma distância muito maior do início do desfile, com blocos muito jovens, que não tem a história do Carnaval, entrando depois", relatou.
Malu Verçosa expõe como essa falta de visibilidade e reconhecimento incentivou a ação judicial para que o Crocodilo e Daniela Mercury ocupem seu devido lugar no Carnaval de Salvador. "Quando a gente reclama e fala: 'Não só estamos sendo empurrados demais', e não é ouvido, a única solução que a gente tem é entrar na justiça", concluiu a empresária.
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