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Filho gay de Maguila relembra trajetória de aceitação e luta contra preconceitos ao homenagear o pai

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Filho gay de Maguila homenageou o boxeador dias antes da morte: 'Orgulho. Me aceitou e respeitou!'  |   Bnews - Divulgação Reprodução Instagram
Juliana Barbosa

por Juliana Barbosa

juliana.barbosa@bnews.com.br

Publicado em 25/10/2024, às 09h06



Cinco dias antes da morte de Adilson Maguila, seu filho, Júnior Ahzura, fez uma emocionante homenagem ao pugilista em suas redes sociais. Ele compartilhou um vídeo de uma entrevista do pai, de 1992, em que Maguila falava abertamente sobre a homossexualidade, afirmando que "o 'viado' não é uma doença" e que "a pessoa já nasceu com esse dom".

Mesmo utilizando o termo "viado", Maguila não empregava o termo com desrespeito, mas como parte de sua visão simples e acolhedora sobre o assunto. As informações são do portal EXTRA.

"Para mim, esse negócio de homossexualismo é para quem sabe ler e quem inventou esse nome científico. Eu não tenho estudo. O homem, o 'viado' não é uma doença", dizia o pugilista, demonstrando uma visão que, para a época, surpreendia pela naturalidade.

Essas palavras ecoaram na vida de Júnior, também nascido Adilson, que cresceu sentindo o apoio incondicional do pai em todas as suas batalhas — como ser um homem gay, preto e gordo.

Apesar de seguir uma carreira diferente da de Maguila, Júnior encontrou seu próprio caminho na luta, não nos ringues, mas nas discussões sobre aceitação e preconceito. Com duas faculdades e atuando como pesquisador, Júnior utiliza a internet para compartilhar sua vivência e reflexões. Ele é autor e apresentador do podcast "Gordosfera", onde aborda temas como gordofobia, racismo e homofobia.

Em um dos episódios do podcast, Júnior narra suas descobertas e como sua família foi fundamental em seu processo de autoconhecimento. Ele descreve como foi acolhido em uma família onde já havia outros membros gordos e relembra o bullying que sofreu na infância por ser "grande". "Me chamavam de baleia", recorda.

Na adolescência, a situação se intensificou quando ele assumiu sua homossexualidade. "Sempre fui um gordinho viado, era nerd também, ainda sou. Mas fui uma criança viada. Eu era muito gay desde pequeno. E me zoavam muito porque eu era gordo, e depois porque eu era uma bichinha", compartilha Júnior.

Maguila, além de ser um herói nacional nos ringues, foi um protetor e companheiro dedicado ao filho. Júnior também enfrentou o racismo em diversos momentos de sua vida, mesmo tendo uma infância dividida entre o público e o privado.

"Meu pai é o Maguila, um dos maiores pugilistas do país. Eu tive privilégios sociais e econômicos, sou fruto de uma relação inter-racial e sempre estudei em escolas particulares", relata Júnior.

Em uma de suas experiências, ele lembra de um episódio em que foi questionado por um colega de faculdade se era bolsista, devido à aparência de seu cabelo.

"Ele falou: 'É só olhar pra você, seu cabelo é duro'". A partir desse momento, Júnior passou a se engajar ainda mais em seu ativismo, utilizando a arte e a educação para promover o respeito e a inclusão.

Hoje, além de seu trabalho no podcast "Gordosfera", Júnior faz parte do coletivo Adiposa Facção e dá aulas no Instituto Moreira Salles, em São Paulo. Ele também mantém uma relação de profundo carinho com a memória de seu pai. "Orgulho ter um pai que sempre me aceitou e respeitou! Mais que um herói nacional, meu pai", declarou.

Maguila, que morreu nesta quinta-feira (24), sofria de encefalopatia traumática crônica, também conhecida como demência pugilística, diagnosticada em 2013. A doença, considerada neurodegenerativa e irreversível, era decorrente dos golpes na cabeça que o pugilista recebeu ao longo da carreira no boxe.

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