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A Globo ampliou a ofensiva contra plataformas clandestinas que retransmitem ilegalmente seus canais pagos e serviços esportivos, em uma tentativa de conter o avanço da pirataria digital no país, segundo informações da Folha de São Paulo, divulgadas nesta segunda-feira (27).
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A emissora move uma série de ações judiciais para derrubar sites que comercializam pacotes de canais por preços muito abaixo do mercado, com foco em operações que oferecem acesso irregular a conteúdos como GloboNews, SporTV e Premiere.
Em ao menos dois processos, a empresa já obteve decisões favoráveis na Justiça. Os chamados serviços piratas de IPTV oferecem assinaturas a partir de R$25 e prometem acesso a até 2 mil canais. Outras ações ainda seguem em tramitação. Procurada, a Globo não comenta processos em andamento.
A Globo está em uma cruzada contra as operadoras piratas de canais pagos do Brasil. Já processou cinco e tirou duas do ar. Tudo por causa de um prejuízo milionário. Só o Premiere perde R$ 500 milhões por ano nisso. De hoje na coluna no @sitef5 @folha
— Gabriel Vaquer (@bielvaquer) April 27, 2026
https://t.co/gefCw9YkM8
Um dos casos mais emblemáticos envolve a plataforma Flix TV. Com apoio de sua equipe de tecnologia e denúncias internas, a emissora conseguiu identificar o responsável pelo serviço, que vendia cerca de 1.500 canais por R$29 mensais. Em primeira instância, ele foi condenado a pagar R$20 mil por violação de direitos autorais, embora ainda caiba recurso.
Outra vitória judicial foi registrada contra o serviço Control Lip TV. A Justiça determinou a retirada do site do ar e autorizou a abertura de investigação para identificar os responsáveis pela operação, ainda não localizados.
A estratégia da Globo também passou a mirar a divulgação desses serviços em redes sociais. Em uma das ações, a emissora acusa a operadora Flix Play de utilizar perfis de grande alcance no X (antigo Twitter), para promover pacotes clandestinos e pediu a suspensão das contas envolvidas por suposta violação das regras da plataforma. O caso ainda aguarda julgamento.
Já outra frente judicial envolve a Nordeste IPTV, que concentrava sua atuação na região Nordeste. Segundo o processo, a operadora anunciava em uma página no Instagram, com 35 mil seguidores, pacotes com até 2 mil canais por R$25. A Globo pede o bloqueio das publicidades e uma indenização de R$100 mil.
Nos processos, a Globo sustenta que a transmissão ilegal representa perdas expressivas, especialmente para o Premiere. A empresa estima um prejuízo de R$500 milhões provocado por usuários que acompanham partidas sem assinatura regular.
Em declaração dada em 2025, Manuel Belmar, diretor de produtos digitais, finanças, jurídico e infraestrutura da Globo, classificou a pirataria como um problema estrutural no país. Segundo ele, quatro em cada cinco pessoas que assistem ao Premiere por rodada não pagam pelo serviço.
Belmar afirmou ainda que o alto custo dos direitos esportivos impõe limites para reduzir preços e reforçou que o combate à pirataria é essencial para a sustentabilidade do modelo de negócios. Com a escalada das ações judiciais, a Globo tenta endurecer o cerco contra um mercado clandestino que segue em expansão.
A gente vive uma situação endêmica no Brasil em relação à pirataria. Nossa capacidade de oferecer preço cada vez mais baixo tem um limite. Eu não tenho condição, com o preço dos direitos esportivos, de oferecer isso sem cobrar nada. É impossível", afirmou Belmar na ocasião.
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