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Glória Menezes: da menina que atuava diante do espelho a uma das maiores atrizes da TV; conheça a trajetória

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Glória Menezes enfrentou resistência da família e construiu uma carreira que atravessou gerações no teatro, cinema e televisão  |   Bnews - Divulgação Reprodução / Redes sociais
TRAJETÓRIA

por TRAJETÓRIA

Publicado em 18/08/2026, às 17h04



Antes de se tornar um dos grandes nomes da dramaturgia brasileira, Glória Menezes era uma menina que gostava de atuar diante do espelho. Ainda aos 5 anos, segundo a própria atriz, ela já criava cenas e falava consigo mesma, sem imaginar que aquela brincadeira se transformaria em uma carreira de mais de seis décadas.

Em um documentário produzido pela Globo em 2025, Glória relembrou o início da trajetória e contou que, quando começou a pensar profissionalmente na atuação, percebeu que não era apenas uma questão de talento.

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“Quando eu estava começando, eu sabia que tinha algum talento, mas aí eu descobri que tinha vocação. Eu entrei na escola de atriz porque sempre gostei de atuar. Desde os 5 anos de idade eu já gostava, fazia as coisas em frente ao espelho, falando comigo mesma”, contou.


Nascida em Pelotas, no Rio Grande do Sul, em 1934, Nilcedes Soares Guimarães estudou piano durante a juventude antes de se dedicar às artes dramáticas. Na década de 1950, ingressou na Escola de Artes Dramáticas, mas deixou o curso antes da conclusão.

A entrada no meio artístico aconteceu no teleteatro da TV Tupi, em uma época em que a televisão brasileira ainda estava se consolidando. Em 1959, participou da novela “Um Lugar ao Sol”, da TV Excelsior. No ano seguinte, passou a usar o nome artístico Glória Menezes e estreou no teatro em “As Feiticeiras de Salém”, de Arthur Miller, com direção de Antunes Filho.

Glória Menezes


O apoio que mudou tudo

A decisão de seguir a carreira artística não foi simples. Glória contou que os pais eram contrários à ideia de vê-la como atriz. Ainda muito jovem, ela se casou e encontrou no marido o apoio que precisava para continuar estudando.

“Eu casei muito cedo, com 17 anos. Tive minha liberdade e, com isso, consegui entrar na Escola de Arte Dramática, porque meus pais não queriam que eu fosse atriz”, relembrou.


A atriz também comentou sobre a importância do primeiro marido naquele momento. Segundo ela, o apoio dele foi fundamental para que pudesse seguir uma profissão que enfrentava resistência dentro da própria família.

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“Eu não seria quem eu sou se não tivesse tido essa chance de ter uma pessoa que me desse a mão”, afirmou.

O reconhecimento no cinema

Um dos primeiros grandes momentos da carreira veio em 1962, com “O Pagador de Promessas”. No filme dirigido por Anselmo Duarte, Glória interpretou Rosa, personagem que acompanhava a história protagonizada por Leonardo Villar.

A produção venceu a Palma de Ouro no Festival de Cannes e recebeu indicação ao Oscar de melhor filme estrangeiro, colocando o cinema brasileiro em destaque internacional.

No ano seguinte, Glória protagonizou “2-5499 Ocupado”, na TV Excelsior, ao lado de Tarcísio Meira. A parceria profissional se transformou em uma história de amor, e os dois se casaram em outubro de 1963.

Juntos, eles se tornaram um dos casais mais conhecidos da televisão brasileira e protagonizaram diversas produções ao longo das décadas.

Glória


Sucessos na televisão

Na TV Globo, Glória e Tarcísio atuaram juntos em novelas como “Sangue e Areia”, “Rosa Rebelde”, “Espelho Mágico”, “Guerra dos Sexos”, “Páginas da Vida” e “A Favorita”.

Mas Glória também construiu grandes personagens longe da parceria com o marido. Em “Irmãos Coragem”, de 1970, interpretou Lara, personagem que apresentava três personalidades diferentes. O trabalho se tornou um dos maiores destaques de sua carreira.

Em “Brega & Chique”, viveu uma dona de casa que muda de vida após receber uma herança. Já em “Rainha da Sucata”, de 1990, interpretou Laurinha Figueroa, uma socialite falida que tentava manter as aparências. A cena em que a personagem se joga de um prédio na Avenida Paulista entrou para a memória da teledramaturgia.

O teatro também ocupou um espaço importante na carreira da atriz. Em “Jornada de um Poema”, Glória interpretou uma professora com câncer e raspou os cabelos para o papel. Anos depois, passou novamente por uma transformação física para viver uma monja tibetana em “Joia Rara”.

No cinema, retornou às telas em 2006, na comédia “Se Eu Fosse Você”, dirigida por Daniel Filho, depois de cerca de duas décadas afastada das produções cinematográficas.

Na televisão, um de seus últimos trabalhos foi “Totalmente Demais”, em 2015, quando interpretou Stelinha, mãe do personagem de Fábio Assunção.

Ao longo de sua trajetória, Glória Menezes passou por diferentes fases da televisão brasileira e deixou personagens que permanecem na memória do público

Glória Menezes morreu nesta terça-feira (18), aos 91 anos. A artista morreu em casa, no Rio de Janeiro. Até a publicação desta matéria, a família ainda não havia divulgado informações sobre o velório e o sepultamento.

Classificação Indicativa: Livre

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