Entretenimento

Ivete 'larga mão' de Axé em meio à data histórica e aposta de novo em pagodão para hit do Carnaval

Divulgação
O axé, que marcou a música da Bahia por 40 anos, parece ceder espaço ao pagodão, refletindo uma mudança no cenário musical.  |   Bnews - Divulgação Divulgação
Juliana Barbosa

por Juliana Barbosa

juliana.barbosa@bnews.com.br

Publicado em 22/01/2025, às 11h46



Em 2025, o movimento musical Axé Music celebrará seus 40 anos de história, consolidado como um dos pilares do Carnaval de Salvador e da identidade cultural brasileira. No entanto, em um momento tão simbólico para o gênero, Ivete Sangalo optou por não destacar o axé como carro-chefe de sua aposta para a folia deste ano. A cantora tem investido cada vez mais no pagodão baiano e, para o Carnaval 2025, seu grande trunfo é o hit "Energia de Gostosa".

Com o lançamento da nova música, Ivete segue a linha de sucessos anteriores, como “Macetando”, lançada em 2024, com Ludmilla.

E “Cria da Ivete”, de 2023, que se tornou um dos maiores hits da folia do ano. A canção, gravada na Casa Pia, em Salvador, conquistou o público e até disputou o título de “hit do Carnaval”, vencendo algumas premiações.

Embora o novo EP de Ivete traga uma faixa com características do axé, chamada O Verão Bateu a minha porta, que tem sido bastante elogiada pelo público, essa não foi escolhida pela artista como sua grande aposta para a folia.

Entretanto, a grande questão que surge é sobre a mudança de gênero musical: será que o axé não faz mais sucesso? No ano em que o ritmo completa 40 anos, parece que o gênero – que nasceu em 1985 e marcou a música da Bahia – está cedendo lugar ao reinado do pagodão na terra natal de Ivete.

Ivete e sua relação com o pagodão

A paixão de Ivete pelo pagode baiano não é novidade. Em entrevista exclusiva ao BNews em 2024, a cantora já havia falado sobre sua forte conexão com o gênero e a influência que ele tem em sua carreira:

'Eu sempre ouvi tudo muito, e não tem como negar a potencial e a força do pagode baiano. É um negócio que atinge a gente em lugares inacreditáveis. Eu sou uma cantora, mas não sou diferente da ouvinte, da pessoa do povo, da pessoa da massa. Eu sou parte das pessoas que ouvem as músicas. Então, as sensações que o pagode provoca na massa, provocam em mim também. Então, embora eu seja cantora, mas eu sou uma espectadora, uma ouvinte, que curto e usufrui desse poder que a Bahia tem, dessa diversidade, que é uma característica da Bahia. Então, trazer um pagodão pra mim, além de um privilégio, é uma oportunidade deliciosa de eu poder usufruir da diversão dentro da minha casa.'

Ivete sempre incorporou elementos do pagode em suas apresentações, como a personagem "Piriguete Sangalo", criada para performances irreverentes nos trios elétricos. Agora, a artista vai além e tem transformado o ritmo em uma peça-chave de seu repertório oficial.

Axé x Pagodão: Uma Mudança de Cenário?

A escolha de Ivete por seguir a tendência do pagodão baiano ao invés de reafirmar suas raízes no axé não passou despercebida. Para muitos fãs, a decisão reflete uma mudança no cenário musical da Bahia, onde o pagodão tem dominado os eventos de rua e se tornado o estilo favorito dos foliões.

Com 40 anos de história, o Axé Music foi responsável por levar a Bahia ao topo da indústria fonográfica nacional, revelando grandes nomes e criando sucessos atemporais. No entanto, com a ascensão do pagodão e de novos ritmos urbanos, o axé enfrenta desafios para se manter em evidência na cena atual.

Ivete, que sempre foi um dos maiores nomes do axé, parece estar se adaptando a essa nova realidade – mas será que essa mudança significa o declínio definitivo do gênero que marcou sua trajetória? Fica o questionamento.

Classificação Indicativa: Livre

Facebook Twitter WhatsApp Google News Bnews


Cadastre-se na Newsletter do Bnews (Beta)