Entretenimento
por Analu Teixeira
Publicado em 25/08/2026, às 21h13
Junior Lima abriu o jogo sobre as consequências de ter crescido diante das câmeras e revelou ter enfrentado crises de pânico que classificou como “pesadas” perto dos 30 anos. O cantor contou que só na vida adulta percebeu o quanto suas decisões eram influenciadas pela preocupação com a opinião e a aceitação das outras pessoas.
O relato foi feito durante o programa “Papo de Segunda”, do GNT, nesta segunda-feira (24). Conhecido desde criança pelo trabalho ao lado da irmã, Sandy, o artista explicou que passou boa parte da vida tentando corresponder ao que esperavam dele, tanto profissionalmente quanto nas relações pessoais.
“Depois de adulto, eu fui entender que muitas das minhas ações, das minhas escolhas, eram preocupadas com o que os outros estavam pensando”, afirmou.
A necessidade de aceitação também se estendia aos grupos com os quais Junior se identificava. Segundo o músico, ele não queria apenas se reconhecer naquelas pessoas, mas também sentir que era aceito por elas. Foi próximo dos 30 anos que essa dinâmica começou a cobrar um preço maior.
“As pessoas com quem eu me identificava, eu queria que eles também me aceitassem no grupo. E aí, com quase trinta anos eu comecei a ter umas crises de pânico pesadas”, revelou.
Junior já fazia terapia antes dos episódios, mas contou que as crises de pânico fizeram com que passasse a buscar acompanhamento de maneira mais intensa. O período também despertou uma necessidade maior de entender os próprios comportamentos e descobrir de onde vinha aquela preocupação constante com a aprovação externa.
“Eu já fazia terapia há um bom tempo, mas aí comecei a fazer intensamente e ir atrás de informação, de me entender, de me conhecer. E isso acabou sendo um processo muito rico e muito valioso para mim”, explicou.
Nesse processo, o cantor percebeu que crescer sob os holofotes também havia interferido na construção de sua identidade. Desde muito novo, Junior precisou aprender a lidar com entrevistas, compromissos e aparições públicas, mantendo uma postura simpática e disponível mesmo durante fases em que era apenas um adolescente tentando entender a própria personalidade.
Com o passar do tempo, a obrigação de estar constantemente “performando” teria provocado uma desconexão dos próprios desejos. Junior percebeu que havia chegado a um ponto em que tinha dificuldade até para identificar preferências simples do cotidiano.
“Essa necessidade de performar me deu uma esvaziada. Eu comecei a perceber que eu não sabia mais do que eu gostava. Eu não sabia escolher a comida que eu queria”, contou.
Reconstruir essa relação consigo mesmo exigiu um processo que Junior descreve como longo. Em vez de apenas tentar controlar os sintomas, o artista passou a questionar comportamentos e escolhas que havia incorporado ao longo dos anos de exposição pública.
Para explicar essa fase, o irmão de Sandy comparou o processo a juntar partes de si mesmo que precisavam ser reconhecidas novamente. “Eu tive que me desconstruir inteiro e olhar para tudo e sair catando os cacos e falar: ‘Ah, tá. Eu sou essa pessoa’. Então foi um longo processo”, declarou.
A experiência, apesar de difícil, acabou sendo considerada valiosa pelo cantor. Ao intensificar a terapia e investir em autoconhecimento, Junior passou a identificar com mais clareza quais escolhas partiam de seus próprios desejos e quais estavam ligadas à necessidade de agradar ou ser aceito pelos outros.
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