Entretenimento
por Analu Teixeira
Publicado em 23/02/2026, às 15h12
Os fãs dos Mamonas Assassinas viverão um momento histórico nesta semana. Os corpos dos cinco integrantes do grupo foram exumados nesta segunda-feira (23), em Guarulhos, na Grande São Paulo, como parte da criação de um memorial vivo em homenagem à banda, que marcou gerações nos anos 1990.
A iniciativa antecede as homenagens pelos 30 anos do acidente aéreo que matou os músicos, em 2 de março de 1996, e prevê a inauguração de um espaço gratuito e aberto ao público ainda nos próximos dias.
O projeto é resultado de uma parceria entre as famílias dos artistas e o BioParque Cemitério de Guarulhos, local onde os integrantes estão enterrados.
Como será o memorial
A proposta prevê a cremação de uma pequena parte dos restos mortais dos músicos. As cinzas serão transformadas em adubo para o plantio de cinco árvores simbólicas, uma dedicada a cada integrante da banda.
Segundo Jorge Santana, primo do vocalista Dinho e CEO da marca ligada ao grupo, todas as decisões foram discutidas e aprovadas em conjunto pelas famílias.
O memorial será instalado atrás das sepulturas já existentes, que continuarão preservadas e abertas para visitação. Cada árvore receberá identificação própria e contará com totens digitais equipados com QR Codes, reunindo fotos, vídeos, histórias e registros da trajetória dos músicos.
Além disso, o espaço terá bancos, áreas de convivência e um “cantinho Mamonas”, pensado como ponto de encontro permanente para fãs deixarem mensagens e recordações.
Memorial vivo e interativo
De acordo com o BioParque, o processo segue etapas específicas. Primeiro, cada família escolhe a espécie da árvore que representará o homenageado. Em seguida, as cinzas são colocadas em uma urna biodegradável junto à semente selecionada.
O crescimento das plantas poderá ser acompanhado por uma plataforma digital desde a germinação até o plantio definitivo no memorial, transformando a homenagem em um projeto ambiental e afetivo ao mesmo tempo. A proposta é criar o que os organizadores definem como o primeiro “memorial vivo” dedicado à banda.
A tragédia que marcou o Brasil
Os Mamonas Assassinas estavam no auge da carreira quando morreram em um acidente aéreo na Serra da Cantareira, durante a aproximação para pouso no Aeroporto Internacional de Guarulhos.
Estavam a bordo o vocalista Dinho (Alecsander Alves), Bento Hinoto, Samuel Reoli, Júlio Rasec e Sérgio Reoli, além de integrantes da equipe e da tripulação. Não houve sobreviventes.
A tragédia provocou comoção nacional. Cerca de 30 mil pessoas passaram pelo velório em Guarulhos, enquanto mais de cem mil acompanharam o cortejo até o cemitério. Mesmo com apenas um álbum lançado, o grupo vendeu milhões de cópias e se tornou um fenômeno cultural brasileiro, especialmente entre o público jovem da década de 1990.
A organização informou que novos detalhes sobre a cerimônia de inauguração e os horários de visitação serão divulgados ao longo da semana. O espaço será permanente, gratuito e acessível ao público, reforçando o objetivo de manter viva a memória e o legado dos artistas.
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