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"Não consigo voltar": advogada que denunciou Payet por agressão deixa o Rio por medo e relata ameaças

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Larissa Ferrari relata como sua vida mudou após denunciar Dimitri Payet por agressão, enfrentando medo e incertezas.  |   Bnews - Divulgação Reprodução Redes sociais
Juliana Barbosa

por Juliana Barbosa

juliana.barbosa@bnews.com.br

Publicado em 23/04/2025, às 11h08



A rotina que Larissa Ferrari levava no Rio de Janeiro ficou para trás quando ela decidiu denunciar Dimitri Payet, jogador do Vasco, por agressão. Hoje, longe do trabalho e da cidade onde morava, ela tenta lidar com o medo e a sensação de que sua vida parou enquanto o mundo segue girando. As informações são do portal Extra. 

“Não vejo a hora de voltar para o Rio, mas a distância do meu apartamento para a casa dele é tão pequena que eu não consigo. Estou agoniada. Aqui, sem poder fazer nada, sem poder voltar para o meu trabalho, parada, esperando alguma coisa acontecer. Parece que a vida anda, e eu estou aqui, inerte”, conta Larissa, que deixou o emprego de corretora de imóveis na Zona Oeste carioca e voltou para o Paraná. 

Desde que rompeu o silêncio e levou o caso à polícia, ela não conseguiu mais retomar sua rotina. As mensagens da gerente da imobiliária ainda chegam, perguntando quando volta. Mas a resposta é sempre a mesma: "ainda não dá". 

Entre perícias e boletins, um trauma que não passa 

As denúncias contra o jogador francês não ficaram apenas no relato. Laudos médicos apontaram marcas no corpo de Larissa, hematomas no braço, coxa, glúteo. Exames feitos nos dias 1º e 8 de abril identificaram sinais de agressão física. Na parte psicológica, um diagnóstico de Transtorno de Personalidade Borderline foi estabelecido após avaliação em três etapas. 

Segundo o laudo, Larissa foi vítima de violência física, sexual e psicológica. E mais: a perícia apontou que o histórico emocional dela foi usado contra ela — como uma forma de dominação. 

Enquanto isso, boletins de ocorrência se acumulam. Um no Paraná, datado de 30 de março, relata ameaças veladas. Frases como “Vou mandar alguém para te deixar segura” e “Vou mandar alguém aí para cuidar de você” foram registradas como sinais de intimidação. Dias antes, em 29 de março, ela já havia denunciado agressões físicas ocorridas no Rio. A Delegacia de Atendimento à Mulher de Jacarepaguá investiga o caso sob sigilo. 

“A punição era parte do jogo. Depois virou castigo” 

O que começou como um relacionamento envolto em fetiches e práticas consensuais de submissão, segundo Larissa, tomou um rumo sombrio. A advogada conheceu Payet em agosto de 2024. No começo, tudo parecia dentro de um “jogo” sexual acordado. Mas, em dezembro, quando ele descobriu que ela havia falado sobre o relacionamento a uma amiga, tudo mudou. 

“Ele dizia que eu merecia ser punida por ter feito algo errado”, diz Larissa. “Era um relacionamento em que a entrega tinha limites. Depois, virou outra coisa.” 

Em seu depoimento, ela menciona episódios em que foi forçada a atos humilhantes. Cita práticas impostas sob o pretexto de “punição”: beber a própria urina, lamber o chão, a privada. “Cheguei a beber água do vaso. É horrível dizer isso. Não gosto nem de olhar para a câmera porque não acredito que fiz aquilo.” 

Em uma das vezes, após uma discussão, ela se trancou chorando no banheiro. Foi tirada de lá à força. “Ele fazia com muita força e me machucava. Eu sempre ficava calada. Não dizia que não gostava, porque sabia que, se falasse, ia perdê-lo.” 

Exposição como escudo 

A decisão de tornar o caso público veio como tentativa de proteção. Larissa sabia que seria julgada, mas preferiu encarar isso a permanecer em silêncio. 

“Não pensei: ‘vai ser lindo, vou ficar famosa’. Eu só pensei: ‘É a minha segurança’. Eu precisava falar. Tive que me expor para me proteger.” 

Ela também revela como os abusos deixaram marcas emocionais duradouras. “Ele me xingava, dizia que eu era ‘vagabunda igual a todas as brasileiras’. Ele pisava no meu rosto, nas pernas, na cabeça. E eu achava que merecia. Hoje, em terapia, estou aprendendo que não merecia nada daquilo.” 

Classificação Indicativa: Livre

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