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Cidade mais negra fora da África, Salvador tem sido palco de diversos eventos importantes para a exaltação da cultura negra no Brasil e no mundo. Em outubro deste ano, a plataforma Netflix promoveu uma ação especial chamada ‘Tudum’, trazendo os atores da série internacional ‘Outer Banks’ para a capital baiana.
Os artistas conheceram diversos espaços da cidade e foram recepcionados pelo bloco afro Olodum, que foi fundado em 1979, no Centro Histórico de Salvador, e atualmente possui 45 anos de história, se tornando praticamente um patrimônio cultural da cidade.
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Em entrevista a reportagem do BNews, o presidente executivo do Olodum, Jorginho Rodrigues falou sobre a experiência de serem notados pela plataforma de streaming e destacou a importância do reconhecimento internacional dos blocos afro-brasileiros.
“Foi incrível, mais uma vez fomos convidados pela Netflix para fazer parte de um projeto e tivemos essa grata surpresa! Recepcionamos o elenco da série, ensinamos um pouco do samba- reggae do Olodum e apresentamos um pouco do Pelourinho, nossa base cultural para eles! Foi um momento super especial e adoramos viver essa experiência com eles!”, disse ele.
Jorginho ainda reforçou que o ‘Novembro Negro’ é importante para celebrar a vida e a cultura de um povo que sofreu durante todo o período da escravidão e segue lutando contra o racismo no dia a dia.
“O Olodum é um Bloco Afro que atua fortemente na luta contra o racismo e todas as formas de discriminação. O Novembro Negro é especialmente importante para nós, pois traz alguns símbolos importantes da luta pelo fim da escravidão em nosso país, pelo fim da violência sofrida ao longo do tempo pelo nosso povo e na busca permanente por uma sociedade mais justa e igualitária”, desabafou.
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“Desde a reformulação do Olodum em 1983, quando deixou de ser apenas bloco de carnaval e passou a ser um Grupo Cultural, com forte presença nos campos político-social e também educacional, nosso papel passa a ser de fundamental importância para conscientizar, orientar e ensinar sobre a história de Zumbi dos Palmares, grande líder na luta pelo fim da escravidão no Brasil, morto em 20 de novembro de 1695”, afirmou
“Dos heróis da Revolta dos Búzios, que foram mortos em 08 de novembro de 1799 e também dos milhares de homens e mulheres que lutaram e lutam até hoje pelo fim do sistema racista implantado em nosso país. Ao longo desse tempo, temos desenvolvido diversas ações através dos nossos temas de carnaval, das músicas, passeatas, seminários e debates, promovendo a discussão, celebrando os nossos heróis e difundindo a herança africana, algo que o Olodum carrega desde o princípio de sua fundação, em 1979”, completou.
Vale lembrar que o Olodum foi o único bloco da América Latina que participou de uma apresentação com o artista Michael Jackson, que faleceu em junho de 2009. A banda gravou o clipe da canção “They Don't Care About Us”, em 1996, no Pelourinho, cartão postal de Salvador, ao lado do artista.
Afropunk
Outro evento que tem trazido os holofotes de todo o mundo para Salvador é o festival Afropunk, marcado para acontecer nos dias 9 e 10 de novembro, a partir das 17h no sábado e a partir das 18h no domingo, no Parque de Exposições.
Essa é a quarta edição da festa no Brasil, que escolheu a capital baiana para ser sua sede, com intuito de celebrar a cultura negra em suas múltiplas expressões, reunindo música, moda, arte e ativismo.
Dentre as atrações escolhidas para representar uma cultura tão rica e diversa estão os cantores Léo Santana, Silvano Salles, Duquesa, Jorge Aragão, Larissa Luz, Erykah Badu e o bloco afro Ilê Ayê, que fará uma apresentação especial em celebração aos seus 50 anos.
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Em conversa com a reportagem do BNews, durante a festa de aniversário do bloco, Antônio Carlos dos Santos Vovô, mais conhecido como Vovô do Ilê, deixou claro que resistência e negritude foram o que mantiveram o bloco vivo por meio século.
“A teimosia, resistência e negritude. Porque se a gente não tivesse assumido a nossa negritude, eu já tinha me dobrado a várias propostas indecentes que eu recebi; desde a formação da banda, de botar guitarra, de fazer uma linha de frente ‘mais bonita’—,e isso para eles é botar pessoas não negras na frente. Então, negro é lindo”, disse ele.
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Vovô ainda deixou claro que aceita novas ideias para o crescimento do movimento, mas o combate ao racismo sempre foi e será o maior lema do Ilê. “Então, nós aceitamos jovens, as coisas modernas que estão surgindo, mas uma coisa a gente não vai abrir mão: do combate ao racismo”, concluiu ele, que foi um dos fundadores do bloco afro, que é o mais antigo de todo o país.
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