Entretenimento

Presidente do Bahia faz revelação chocante sobre dificuldade em se assumir gay: "para sobreviver"

Reprodução Instagram
Presidente do Bahia, Emerson Ferretti revelou que passou anos se sentindo solitário no ambiente do futebol  |   Bnews - Divulgação Reprodução Instagram
Juliana Barbosa

por Juliana Barbosa

juliana.barbosa@bnews.com.br

Publicado em 16/08/2024, às 07h44



Emerson Ferretti, ex-goleiro do Flamengo e atual presidente do Esporte Clube Bahia, fez história ao se tornar o primeiro presidente assumidamente gay de um clube de futebol brasileiro. Recentemente, ele concedeu uma entrevista ao jornalista Bob Fernandes no canal TVE Bahia, no YouTube, onde abordou as dificuldades que enfrentou ao longo de sua carreira como jogador, vivendo em um ambiente onde a homossexualidade é, até hoje, um tabu. As informações são do portal EXTRA.

Inscreva-se no canal do BNews no WhatsApp!

Ferretti, que jogou profissionalmente até os 35 anos, falou abertamente sobre os anos de solidão que enfrentou, escondendo sua orientação sexual para se proteger e manter sua carreira no futebol. "O processo todo foi muito solitário, desde a adolescência, quando comecei a perceber e entender a minha sexualidade, sem poder falar com ninguém. Nem com a família, nem com os amigos, e muito menos dentro do futebol. Foi realmente muito solitário", disse o dirigente.

Para evitar questionamentos e preservar sua imagem, Emerson revelou que precisou criar um noivado fictício, entre outras estratégias, para despistar curiosidades sobre sua vida pessoal. "Precisei esconder esse fato durante minha carreira toda, pra me preservar, preservar minha carreira, para sobreviver no meio do futebol. Consegui isso, tanto é que joguei até onde achei que deveria, aos 35 anos", explicou.

Atualmente, Emerson Ferretti está em um relacionamento com o bailarino e jornalista Jordan Dafner, com quem namora desde o início do ano. No último domingo (11), os dois foram vistos juntos na torcida de uma partida do Bahia contra o Vitória, na Arena Fonte Nova. Pela primeira vez, Jordan postou uma foto ao lado de Emerson.

Com 50 anos, Emerson explicou que a decisão de falar abertamente sobre sua sexualidade foi motivada pela necessidade de abordar um tema que ainda é evitado no futebol. "Essa tomada de decisão aconteceu justamente para jogar luz sobre um assunto que não é conversado no meio do futebol. Mas existem muitos gays, não fui o único, e todos eles precisam se esconder. Quando alguém cria um personagem para sobreviver, isso é muito dolorido, é sofrido. Então, falar sobre isso e virar uma referência, acredito que ajudará muitos que estão no futebol ou até mesmo garotos gays que pretendem ser jogadores a se aproximar e enfrentar isso", declarou. “O caráter, o talento, não se mede pela sexualidade, o fato de ser gay não me impediu em momento nenhum de ser um goleiro que entregasse desempenho nos clubes que joguei", disse.”

Bob Fernandes também recordou um encontro com Emerson de anos atrás, quando ele ainda jogava. Na época, o goleiro afirmou estar noivo, o que, segundo ele, era uma forma de atender à pressão social. "Era um discurso que às vezes era necessário porque existia uma cobrança social muito grande em relação a namoro, casamento, a uma presença feminina do lado. Infelizmente, tínhamos que usar esse discurso. Era uma das formas que tínhamos para nos protegermos. Muitos atletas gays acabam inclusive casando para afastar qualquer suspeita sobre a sexualidade deles. Isso é muito triste, ter que representar o tempo todo", lamentou.

Classificação Indicativa: Livre

Facebook Twitter WhatsApp Google News Bnews


Cadastre-se na Newsletter do Bnews (Beta)