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R$ 1,4 milhão pela cabeça: influenciadora brasileira entra na mira da máfia italiana, diz PF

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Segundo a PF, Paula Simões teria sido ameaçada por integrantes da 'Ndrangheta após se relacionar com o advogado Patrick Cardoso; investigação também aponta movimentação de mais de US$ 6 milhões  |   Bnews - Divulgação Reprodução / Redes Sociais
Tiago Di Araújo

por Tiago Di Araújo

tiago@bnews.com.br

Publicado em 14/10/2026, às 07h15



Uma suposta traição teria colocado a influenciadora Paula Simões na mira de uma das organizações criminosas mais conhecidas da Itália. Segundo a Polícia Federal, integrantes da máfia 'Ndrangheta teriam avaliado a “cabeça” da mulher em 250 mil euros — cerca de R$ 1,4 milhão — após descobrirem um relacionamento extraconjugal com o advogado Patrick Raasch Cardoso.

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A ameaça, conforme a investigação, teria ocorrido em meio a suspeitas de que Paula usufruía de viagens e luxos financiados pelo narcotráfico durante o relacionamento, mantido entre 2019 e 2023. Os investigadores também apontam que a estrutura criminosa teria pressionado a influenciadora a se afastar do advogado e a quitar dívidas relacionadas a carregamentos de cocaína já enviados ao exterior.

O caso veio à tona no contexto das investigações que levaram às prisões de Paula e Cardoso. As apurações também envolvem o marido dela, Patrick Assisi, e o sogro, Nicola Assisi, presos em julho de 2019, em Praia Grande, no litoral paulista.

PF aponta que influencer assumiu funções no tráfico após prisões

De acordo com a Polícia Federal, depois das detenções de Patrick Assisi e Nicola Assisi, Paula teria assumido funções operacionais ligadas ao tráfico internacional de cocaína no Brasil. Os investigadores a descrevem como uma espécie de “herdeira operacional” da estrutura criminosa.

Nas conversas analisadas pela corporação, realizadas entre janeiro de 2020 e fevereiro de 2021, a influenciadora teria utilizado o codinome “Chanel” no aplicativo criptografado SkyECC.

Segundo a PF, ela intermediava contatos entre fornecedores sul-americanos e investidores europeus, além de participar da coordenação de carregamentos de cocaína destinados ao exterior e da movimentação financeira do grupo.

Entre os nomes citados na investigação está Elton Leonel Rumich da Silva, conhecido como Galã, apontado pelas autoridades como liderança do Primeiro Comando da Capital (PCC) no Paraguai. Ele está preso na Penitenciária Federal de Mossoró.

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Advogado é suspeito de intermediar contatos com traficantes

A investigação também relaciona Paula ao advogado Patrick Raasch Cardoso, de Santos, no litoral de São Paulo. Segundo a Polícia Federal, ele é suspeito de atuar como intermediário em contatos com traficantes internacionais ligados à 'Ndrangheta e de participar posteriormente da coordenação de remessas de drogas.

Os investigadores também atribuem ao advogado possível participação na estruturação de operações de lavagem de dinheiro. Entre os atos citados estão locações supostamente dissimuladas, a aquisição de uma mansão avaliada em R$ 1,6 milhão e o uso de notas fiscais consideradas falsas pela investigação.

Cardoso também é suspeito de intermediar contatos com Galã, utilizando sua condição de advogado para transmitir mensagens entre pessoas dentro e fora da prisão.

Para a PF, esses elementos indicam que a rede investigada teria estabelecido conexões que ultrapassavam a máfia italiana, alcançando integrantes ligados ao PCC.

Esquema teria movimentado mais de US$ 6 milhões

Outro ponto da investigação envolve Paula Simões e o doleiro Tharek Mourad Mourad, preso pela Polícia Federal em 2025. Segundo os investigadores, os dois teriam participado de um sistema ilícito conhecido como “dólar-cabo/token”, utilizado para movimentar mais de US$ 6 milhões associados às atividades do chamado clã Assis entre 2020 e 2021.

O mecanismo funcionaria por meio da entrega de dinheiro a doleiros em um país e da liberação de valores em outro, com operações validadas por tokens. Conforme a PF, o sistema permitia movimentar recursos sem que o dinheiro precisasse percorrer fisicamente o trajeto entre os países.

A corporação afirma que os valores eram destinados à compra de drogas, a repasses para a máfia italiana e ao pagamento de despesas pessoais.

Entre as transações identificadas, os investigadores destacaram um pagamento de US$ 1,47 milhão por uma remessa de 300 quilos de cocaína.

A defesa dos envolvidos não havia sido localizada pelo g1 até a última atualização da reportagem original.

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