Entretenimento
por Natane Ramos
Publicado em 04/04/2026, às 07h46
O jogador de futebol Neymar Jr. voltou a se envolver em polêmica. Desta vez, o atleta está sendo criticado pela utilização de um termo considerado machista. Durante uma entrevista após o jogo entre o Santos e Remo, ele utilizou a expressão "de chico" para criticar o árbitro Sávio Pereira Sampaio, que lhe deu cartão amarelo.
"Sávio é assim, acordou meio de 'Chico'", declarou o jogador de futebol.
“Acordou de chico e veio assim pro jogo” - como é fácil replicar expressões sexistas e preconceituosas. Por anos as mulheres foram constrangidas por menstruarem. Um simples processo BIOLÓGICO visto como algo sujo, flutuações hormonais e dores físicas invalidadas. Há quem defenda. pic.twitter.com/HWubLWGOJ7
— Mariana Pereira (@maripereira_j) April 3, 2026
A fala de Neymar logo viralizou nas redes sociais e causou revolta. A expressão está associada ao período menstrual, utilizada para "explicar" comportamentos considerados "difíceis", reforçando um estereótipo de que mulheres seriam menos racionais, controladas ou capazes por fatores biológicos.
Ao apontar que o treinador estaria “de chico”, Neymar reforçou essa concepção machista que a sociedade, principalmente homens, possuem de aspectos biológicos e emocionais das mulheres, as inferiorizando e invalidando.
Apesar de parecer uma expressão comum para algumas pessoas, a palavra carrega um peso discriminatório, principalmente ao analisar como o meio futebolístico, historicamente, possui alta incidência de assédio, invisibilização e violência contra mulheres.
Uma pesquisa realizada pelo Instituto Avon em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em 2022, demonstrou em dados esta conduta violenta presente no esporte. Ao analisar registros de boletins de ocorrência de ameaça contra mulheres, eles perceberam que as denúncias subiam em 23,7% em dias em que um dos times da cidade jogava pelo Campeonato Brasileiro.
Dentro de campo, as jogadoras de futebol também enfrentam o machismo e violência. De acordo com uma série de entrevistas da jornalista esportiva Camila Alves, que conversou com mais de 200 atletas de diferentes clubes do Brasil, em 2024, 52,1% dessas mulheres afirmaram já ter sofrido algum tipo de assédio vindo de árbitros, treinadores, torcedores, comissão técnica e diretoria dos clubes.
Com a repercussão, o comentário de Neymar reforça como certas expressões carregam significados preconceituosos. A normalização do termo mostra como o ambiente esportivo ainda não é seguro para todos.
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