Entretenimento
por Natane Ramos
Publicado em 22/08/2025, às 05h00
Durante o programa PodZé, apresentado por Zé Eduardo, na quinta-feira (21), a jornalista, atriz e influenciadora, Maíra Azevedo, conhecida como Tia Má nas redes sociais, refletiu sobre o papel das cotas para uma sociedade mais igualitária.
"Ações afirmativas chegam para tentar dirimir o que a história deixou para gente. A história do Brasil deixa o nosso país com várias dívidas", relatou.
A ativista social destaca que as cotas sempre existiram, mas nem pessoas negras não tinham acesso a elas. "Cotas no Brasil sempre existiram, mas para quem essas cotas eram feitas? Quem eram beneficiados com essas cotas? Pessoas brancas, pessoas brancas sempre tiveram acesso a tudo", explicou.
Tia Má confrontou o racismo estrutural e relembrou como pessoas negras eram impedidas de estudar. "Uma outra informação que a gente precisa lembrar, é que até o início do século XX, pessoas pretas eram proibidas por lei de estudarem. A gente precisa lembrar de tudo isso", comentou.
"Quando começaram com essa discussão no primeiro governo Lula, de uma reparação histórica de assegurar um ensino para todas as pessoas, para todas as pessoas poderem ter acesso, muita gente veio questionar o que era cota, sem entender, como se cota fosse roubando a vaga de alguém. Cota, é um processo, para você inclusive, dirimir as desvantagens históricas", ressaltou.
Maíra Azevedo refletiu sobre o motivo de muitas pessoas se sentirem incomodadas com as cotas. "O que começa a incomodar é quando a pessoa preta e pobre começa a ter o mesmo acesso. Porque para algumas pessoas o problema é: 'como é que eu vou sentar na mesma mesa que essa pessoa aqui, que eu sempre olhei como uma pessoa inferior?'", declarou.
A jornalista aponta o racismo presente no comportamento das pessoas que se acham superiores e se sentem ameaçadas ao ver pessoas negras na mesma posição que elas. "Tem gente que fala assim: 'Ai racismo é ignorância'. Não é gente, tem gente que tem uma certeza que algumas pessoas devem ser tratadas de uma forma diferenciada para baixo. E é por isso que tem esse incômodo com qualquer ação afirmativa que fortaleça grupos historicamente oprimidos. Porque quando você tenta reparar, quando você tenta assegurar as mesmas oportunidades, para alguns isso é um absurdo", concluiu.
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