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"Quando você ascende, você não deixa de ser preto": Tia Má denuncia racismo estrutural e limites da mudança social

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Tia Má denuncia racismo estrutural e reflete sobre dificuldades enfrentadas por pessoas pretas  |   Bnews - Divulgação Foto: Reprodução / BNews TV
Natane Ramos

por Natane Ramos

Publicado em 21/08/2025, às 19h42 - Atualizado às 19h45



Durante o programa "PodZé", apresentado por Zé Eduardo, nesta quinta-feira (21), a atriz, influenciadora, escritora, jornalista e ativista social, Maíra Azevedo, conhecida pelo apelido de Tia Má, fez uma importante reflexão sobre as injustiças sociais e a dificuldade de ascensão de pessoas pretas no Brasil.

Na entrevista, Tia Má relatou que, mesmo com o sucesso, ainda sofre preconceitos e é enxergada, muitas vezes, de forma inferior em locais que pessoas negras não têm acesso devido ao racismo estrutural. "Quando você ascende, você não deixa de ser preto. Então, às vezes seu corpo estranha determinados espaços. Você é aquela pessoa que alguém faz assim: 'Nossa, por que ela está aqui? Como assim ela é jornalista? Como assim ela mora nessa casa?'. Porque parece que você está incomodando, porque parece que o nosso lugar é o fim da viatura. Então, quando você não está neste lugar, que é o fim da viatura, você é a mulher preta pensante — porque, no meu caso, ainda tem isso, eu sofro duplamente, eu sofro machismo e racismo — . Então, é sempre naquele lugar de servir, quando você não se coloca neste lugar de servir, onde você foge daquele lugar esperado do corpo preto, isso para algumas pessoas é assustador", declarou.

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"E a gente ainda tem que ouvir que é mimi, que é coitadismo... Parece que, para o Brasil, é muito difícil reconhecer a parte nefasta da história. A gente veio de um povo que foi, por muito tempo, escravizado e coisificado. Se eu for pensar, imagine, o meu bisavô era mercadoria de alguém", destaca Maíra.

A jornalista reconhece que houve mudanças positivas na sociedade, mas o racismo ainda é uma realidade presente no mundo. "Acho que teve avanços. Se eu não reconheço os avanços, eu estou negando quem veio na minha frente. Mas a gente precisa dizer que ainda é um lugar muito hostil. Que é um lugar que as pessoas querem sempre colocar a gente no mesmo pacote, que é ridicularizar e ainda tenta desqualificar toda vez que a gente fala. Porque se você falar: 'ai é mimimi', observe, sempre querendo dizer se eu posso ou não falar da minha dor", informa.

"Isso é uma das artimanhas do racismo, é colocar quem é vítima como se fosse responsável por ele. Tem gente que me diz assim: 'É só você não falar sobre isso'. Mas eu não deixo de vivenciar, se eu não falo, eu continuo sendo olhada torta, eu continuo sendo hostilizada nos lugares. Então, a gente precisa continuar falando sobre isso para poder reconhecer. A melhor forma de resolver um problema é quando você reconhece que ele existe, não é você não falando", concluiu, Tia Má.

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