Entretenimento
O Ministério Público Federal (MPF) abriu um inquérito civil para investigar possíveis práticas de tratamento desumano no BBB 26, exibido pela TV Globo. A apuração foi iniciada após denúncias que levantam dúvidas sobre a segurança física e psicológica dos participantes desta edição.
A decisão partiu do procurador regional adjunto dos Direitos do Cidadão, Júlio Araújo, que determinou a abertura do procedimento para analisar se algumas dinâmicas do programa podem ter ultrapassado limites aceitáveis.
Dinâmicas polêmicas entram na mira
Entre os pontos citados na denúncia estão episódios ocorridos durante uma Prova do Líder, quando o ator Henri Castelli teria apresentado duas crises convulsivas enquanto participava da disputa.
Além disso, outras mecânicas do reality também foram questionadas. Uma delas é a chamada dinâmica do “Exílio”, que manteve participantes como Breno e Alberto Cowboy em uma área externa da casa por longos períodos.
Breno vai para o exílio na área externa da casa. #BBB26 #RedeBBB pic.twitter.com/G6aaGEpiDa
— Big Brother Brasil (@bbb) February 28, 2026
Outro ponto que chamou a atenção foi o chamado “Quarto Branco”, ambiente de isolamento em que participantes permaneceram por cerca de 120 horas com acesso restrito apenas a água e biscoitos.
Limites do entretenimento
Na decisão que determinou a investigação, o procurador destacou que a liberdade criativa das emissoras não pode se sobrepor aos direitos fundamentais das pessoas. Segundo ele, por operarem mediante concessão pública, as emissoras de televisão precisam respeitar princípios constitucionais e valores sociais.
O documento também ressalta que a proibição de tortura e de tratamentos degradantes é absoluta na Constituição brasileira, e que transformar sofrimento em entretenimento pode entrar em conflito com os princípios que regem a sociedade.
Resposta da emissora
Em manifestação preliminar no processo, a Globo afirmou que mantém acompanhamento médico permanente dentro do reality, incluindo equipe especializada e estrutura de atendimento emergencial.
A emissora informou ainda que, nos episódios envolvendo Henri Castelli, o participante recebeu atendimento imediato e chegou a ser encaminhado para avaliação em unidades de saúde fora do confinamento.
Como primeiro passo da investigação, o MPF solicitou que a emissora apresente esclarecimentos detalhados sobre os episódios mencionados nas denúncias.
As representações também citam posicionamento da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, que manifestou preocupação com algumas dinâmicas do programa e apontou semelhanças com métodos de pressão psicológica utilizados em períodos autoritários da história brasileira.
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