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A vereadora Jéssica Lemonie (PL), da cidade de Itapoá, em Santa Catarina, usou a tribuna da Câmara Municipal para defender a retirada do livro Capitães da Areia, de Jorge Amado, do currículo das escolas públicas do município.
Em discurso feito no último dia 16 de junho, a parlamentar alegou que a obra é inapropriada para estudantes de 12 e 13 anos e sugeriu que seu uso em sala de aula seria uma forma de “infiltração da esquerda” na educação. As informações são do portal Metrópoles
“A classificação dele divulgada e oficial é de 14 anos. Ele (o livro) promove a marginalização infantil. Será que é uma maneira pela qual a esquerda está infiltrando esses livros nas escolas? Sim. Quem foi Jorge Amado? [...] Na verdade, sim, um escritor comunista, famoso e conhecido, que inclusive foi deputado federal e teve seu mandato cassado”, disse a vereadora durante a sessão.
Segundo ela, o livro tem sido discutido com alunos do ensino fundamental da rede pública, o que considera impróprio. Jéssica também citou um trecho da obra que aborda o estupro de uma jovem para justificar seu posicionamento.
“Esse tipo de material é para adultos. Esse tipo de material é para quem quer buscar esse conhecimento, ter ele à disposição, não para os alunos de 12 ou 13 anos na sala de aula como matéria avaliativa, tendo que discutir sobre isso.”
Apesar da crítica, ela reconheceu que a obra pode estar disponível em bibliotecas públicas, por ser considerada leitura obrigatória em diversos vestibulares, mas reforçou que, em sua visão, não deve ser aplicada como conteúdo escolar para crianças.
Publicado em 1937, Capitães da Areia é um dos livros mais importantes da literatura brasileira. A obra retrata um grupo de meninos de rua que vivem em um trapiche abandonado em Salvador, na Bahia. Com um olhar social e crítico, o romance aborda temas como pobreza, abandono, repressão e a luta por sobrevivência nas margens da sociedade.
Apesar de sua relevância, a obra foi queimada em praça pública por militares na década de 1930, quando Jorge Amado foi perseguido por sua militância comunista. Anos depois, o livro passou a ser adotado em escolas e vestibulares em todo o país.
Vale lembrar que, segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública, livros não passam por classificação indicativa oficial, ao contrário de filmes, programas de TV e jogos. Ou seja, não há uma faixa etária obrigatória para leitura da obra.
@metropolesoficial A #vereadora Jéssica Lemonie (PL-SC) usou o palanque na Câmara Legislativa de Itapoá (SC) para criticar e pedir a retirada do clássico da literatura brasileira #CapitãesdaAreia, de #JorgeAmado, do currículo escolar do município para determinados públicos. Ela considera que o texto não é adequado para determinadas faixas etárias. Também citou que o escritor era “comunista” e que a esquerda está “infiltrando” essas obras nas escolas. Durante sessão realizada no último dia 16 de junho, a vereadora alega que a obra está sendo trabalhada e discutida na rede pública de ensino entre alunos de 12 a 13 anos, e afirma que o livro possui conteúdo inapropriado para essa faixa etária. “A classificação dele divulgada e oficial é de 14 anos. Ele (o livro) promove a marginalização infantil. Será que é uma maneira pela qual a esquerda está infiltrando esses #livros nas escolas? Sim. Quem foi Jorge Amado? Se vocês pesquisarem no Google, verão que ele é um escritor famoso, com muitas obras, conhecido. Na verdade, sim, um escritor comunista, famoso e conhecido, que inclusive foi deputado federal e teve seu mandato cassado.” A classificação indicativa de programas de televisão, cinema, vídeo doméstico (DVD), jogos eletrônicos e aplicativos, jogos de RPG, programas de rádio, espetáculos públicos e vídeo por demanda (VOD) é prevista pela Constituição Federal de 1988 e regulamentada por outros dispositivos legais, como o Estatuto da Criança e do Adolescente e portarias do Ministério da Justiça. No entanto, os livros não são considerados produtos classificáveis, como aponta o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), responsável pela regulamentação no #Brasil. A parlamentar entende que o livro pode estar disponível na biblioteca municipal, visto que a obra aparece em diversos vestibulares, mas afirma que a presença do livro para alunos da rede pública não é adequada. “Só que esse tipo de material é para adultos. Esse tipo de material é para quem quer buscar esse conhecimento, ter ele à disposição, não para os alunos de 12 ou 13 anos na sala de aula como matéria avaliativa, tendo que discutir sobre isso.” O Metrópoles não conseguiu contato com a vereadora para se manifestar sobre o caso. #TikTokNotícias ♬ som original - Metrópoles Oficial
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