Esporte

Bahia quebra o silêncio após mortes de integrantes da Bamor antes do Ba-Vi e cobra punição: “Não há rivalidade que justifique”

Leticia Martins / EC Bahia
Bahia expressa pesar e repudia atos de violência que resultaram em mortes de integrantes da Bamor antes do clássico Ba-Vi  |   Bnews - Divulgação Leticia Martins / EC Bahia
Cauan Borges

por Cauan Borges

borgesjornalismo2023@gmail.com

Publicado em 24/08/2026, às 14h00



O Esporte Clube Bahia SAF se manifestou nesta segunda-feira (24) sobre os episódios de violência registrados horas antes do clássico Ba-Vi disputado no domingo (23), em Salvador. Em nota de repúdio publicada mas redes sociais, o Tricolor de Aço lamentou as mortes de torcedores e condenou os confrontos que envolvem os integrantes de torcidas organizadas.

Não há rivalidade que justifique. É inadmissível, é revoltante e é insustentável”, afirmou o Bahia no posicionamento.

O clube também defendeu que o futebol não seja associado à violência e cobrou das autoridades uma investigação aprofundada e a responsabilização dos envolvidos: “O futebol jamais pode ser utilizado como justificativa para atos criminosos. Futebol é saúde, integração e lazer. Não é terror e morte. Não podemos normalizar que sair de casa para torcer torne-se algo perigoso”, declarou o clube.

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Mortes de integrantes da Bamor

Uma das vítimas foi José Alexandre Souza Borges, de 28 anos, integrante da Bamor, torcida organizada ligada ao Bahia. Alexandre foi morto no domingo, poucas horas antes do clássico, na Via Regional, em Cajazeiras, região próxima ao Barradão.

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Em imagens registradas por testemunhas, é possível ver o torcedor em uma motocicleta sendo cercado por dezenas de integrantes de uma torcida rival. José Alexandre foi agredido e esfaqueado. O homem chegou a ser socorrido e internado em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), mas não resistiu aos ferimentos.

Além da morte de José Alexandre, a Polícia Civil confirmou nesta segunda-feira o óbito de Lucas dos Reis Bonfim, de 19 anos. O jovem foi morto a tiros no bairro de Castelo Branco. Inicialmente, a polícia informou que não havia elementos que apontassem relação entre a morte de Lucas e o assassinato de José Alexandre, nem confirmação oficial de que o caso estivesse ligado aos confrontos entre torcidas organizadas.

Ao g1, os familiares disseram que Lucas foi baleado próximo ao fim de linha de Castelo Branco enquanto observava a movimentação relacionada à confusão ocorrida na Avenida 29 de Março. Segundo a família, a vítima havia integrado Os Imbatíveis, mas passou a fazer parte da torcida rival cerca de um ano atrás. Os dois casos são investigados pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). 

Imbatíveis se manifesta

Também nesta segunda-feira, a Torcida Os Imbatíveis, organizada ligada ao Vitória, divulgou um posicionamento sobre a morte de José Alexandre e Lucas dos Reis. A nota foi assinada pelo presidente da torcida, Gabriel Oliveira.

O dirigente lamentou o episódio e afirmou que havia comunicado previamente ao Batalhão Especializado em Policiamento de Eventos (BEPE) os locais de concentração dos integrantes da organizada antes do clássico.

Segundo Gabriel, a informação foi repassada na quinta-feira (20), com horários e itinerários dos diferentes comandos da torcida. De acordo com ele, o objetivo era contribuir com o planejamento da segurança e evitar confrontos.

Lamento profundamente a morte ocorrida ontem, antes do clássico. Quando morre um membro de uma torcida organizada, todas sangram. É uma perda que nos entristece e nos atinge profundamente”, afirmou.

Seis suspeitos são autuados

De acordo com a Polícia Civil, os seis homens detidos foram autuados em flagrante por homicídio qualificado, tentativa de homicídio contra outras quatro pessoas, posse de artefato explosivo e promoção de tumulto, crime previsto no Estatuto do Torcedor.

Durante a ação, foram apreendidos três objetos perfurocortantes, dois artefatos explosivos, fogos de artifício e latas de spray. As armas e as roupas recolhidas foram encaminhadas ao Departamento de Polícia Técnica (DPT) para perícia.

A Polícia Civil informou que continua investigando o caso para identificar outros envolvidos e esclarecer a dinâmica e a motivação do crime. Outros integrantes do grupo abordado também foram conduzidos à Central de Flagrantes. Segundo a PM, foi registrado ainda um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) por atos de vandalismo.

Confira a nota do Bahia na íntegra:

“O Esporte Clube Bahia SAF lamenta profundamente e repudia com veemência os episódios de violência registrados antes do clássico deste domingo (23), que resultaram na morte de torcedores.

Não há rivalidade que justifique. É inadmissível, é revoltante e é insustentável.

O futebol jamais pode ser utilizado como justificativa para atos criminosos. Futebol é saúde, integração e lazer. Não é terror e morte. Não podemos normalizar que sair de casa para torcer torne-se algo perigoso.

Nos solidarizamos com as vítimas e seus familiares e esperamos das autoridades uma investigação profunda e a punição rigorosa dos responsáveis.

O Bahia seguirá defendendo o futebol como ferramenta de inclusão e socialização, onde a vida esteja sempre em primeiro lugar.”

Classificação Indicativa: Livre

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