Esporte

Comandante do BEPE comenta da torcida única e garante “consequências” às organizadas após tragédia no Ba-Vi: “Cortar na carne”

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O comandante do BEPE, tenente-coronel Flávio Farias, comentou que a Polícia Militar está preparada para um controle “enérgico  |   Bnews - Divulgação Reprodução / BNews Tv / Youtube
Leonardo Oliveira

por Leonardo Oliveira

Publicado em 26/08/2026, às 19h47



O comandante do Batalhão Especializado de Policiamento de Eventos (BEPE), tenente-coronel Flávio Farias, comentou durante entrevista ao Se Liga Bocão, nesta quarta-feira (26), que a Polícia Militar está preparada para um controle “enérgico” e “firme” sobre as torcidas organizadas. O oficial disse que é necessário “cortar na carne” para coibir a violência e que as próximas definições das autoridades devem bater o martelo sobre o futuro das organizadas no estado após a última tragédia no Ba-Vi do último domingo (23).

Ele destacou que, diferentemente dos bairros, o ambiente interno e o entorno das arenas esportivas têm registrado ausência de problemas graves e comentou até da possibilidade de uma torcida mista. “Dentro do estádio e no entorno, a gente não tem tido problemas. Está sendo até já servido de forma benéfica para que as autoridades, nas reuniões que eu participo, estejam atentos numa possibilidade disso ocorrer”, disse.

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No entanto, o oficial apontou que a violência nos bairros e em vias de acesso próximas aos estádios representa o principal obstáculo. “Contudo, a gente está tendo esse fator ruim, que são os números nos bairros. E esse agora, esse crime que ocorreu foi já numa via de acesso mais próxima. Então isso dificulta, dificulta bastante”, avaliou.

Para uma possível viabilização do retorno de duas torcidas ao estádio no futuro, o tenente defendeu medidas drásticas. “As medidas agora devem ser adotadas de forma enérgica. Cortar na carne. Vai doer em gente aí, vão reclamar, mas eu acho que a gente tem que começar do início”, afirmou.

Entre as ações propostas, estão o controle rígido sobre as torcidas organizadas e a venda de camisas, além de uma articulação direta com a Polícia Civil para identificar faccionados infiltrados. “Nós estamos com reuniões já mantidas com a Polícia Civil, passando informações à Polícia Civil sobre faccionados que estão adentrando nas torcidas, porque não temos o controle desses”, explicou.

O comandante do BEPE também citou a possibilidade de exigir certidão de idoneidade para ingresso em torcidas organizadas. “Isso também foi motivo de pauta aqui, que foi tipo uma certidão emitida por órgão público de idoneidade da pessoa para entrar numa torcida organizada”, disse.

Histórico de violência e infiltração de criminosos

O comandante alertou que muitos dos envolvidos em ocorrências possuem histórico de agressões e homicídios. “Então quando você vai ver uma ocorrência dessa, o histórico do cara é de agressões, inclusive dentro de casa. De agressões, de homicídio. Então esses caras, eles estão vestindo as camisas das organizadas sem o devido controle, e a gente vai apertar o controle em cima das organizadas”, disse.

Ele ainda enviou um recado direto às torcidas: “E se eles quiserem continuar sendo torcida nesse ponto que eles fazem, de fazer uma boa festa, incentivar o clube como tem que ser, eles vão ter que começar a entrar na linha”, alertou.

Apesar das dificuldades, o tenente se disse favorável ao espetáculo de duas torcidas no estádio e garantiu que o BEPE estará pronto para atuar, caso as autoridades determinem o retorno. “Eu, particularmente, gosto do espetáculo de duas torcidas no estádio. E tenho certeza que a Polícia Militar, se assim as autoridades entenderem, o BEPE estará pronto para atuar no estádio e no seu entorno”, afirmou.

No entanto, Coronel ressaltou que a segurança não é responsabilidade exclusiva da PM e exigiu esforço conjunto de outros órgãos. “Então é um esforço hercúleo, que não é só a PM. Tem que ter os órgãos envolvidos, temos que divulgar mais essas punições que ocorrem”, disse.

Trabalho e punições

O comandante detalhou que já há punições sendo aplicadas a torcedores que descumprem restrições, como o comparecimento ao BEPE nas janelas determinadas (duas horas antes e duas horas depois dos jogos). “Tem gente aí que já foi punida para permanecer no BEPE 6 horas (2 horas antes do jogo e só saem 2 horas depois), aqueles que faltam, nós comunicamos ao juízo da 9ª Vara e lá essa penalidade é aumentada, alguns com preventiva, que estão faltando, vai o recado aí, para vocês que estão faltando lá, aguardem nova decisão judicial”, alertou.

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Flávio também reforçou que a polícia não consegue estar em todos os locais ao mesmo tempo. “A Polícia Militar sozinha não vai, como eu digo, estar em toda esquina. Não vai estar em toda esquina. Nós não conseguimos trabalhar em toda esquina, nós trabalhamos por setor”, explicou, citando que, mesmo no local de um homicídio recente, não havia policial no momento exato, mas a prisão foi efetuada logo em seguida.

Diante da repercussão nacional da violência recente, o tenente afirmou que as autoridades estão debruçadas sobre o caso e que decisões firmes devem ser anunciadas em breve. “O fato ocorreu, lamentável, mortes... Mais uma vez desse calibre aí, de uma violência de grande repercussão, inclusive a nível nacional. E aí as consequências virão, né? Porque as autoridades, agora nessa semana se debruçaram para que as providências sejam tomadas de forma firme”, disse.

Ele concluiu indicando que a definição sobre o futuro das torcidas organizadas na Bahia deve sair nos próximos dias. “Então vamos aguardar aí, agora nos próximos dias, a definição, o batimento de martelo com relação ao futuro das torcidas organizadas aqui na Bahia”.

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