Esporte
por Analu Teixeira
Publicado em 05/02/2026, às 20h32
O Ministério Público do Paraná (MP-PR) denunciou o empresário Igor Freitas, filho do ex-boxeador Acelino Freitas, o Popó, além de Rodrigo Rossi e Raphael Ribeiro, por associação criminosa e corrupção em âmbito desportivo, em um esquema de tentativa de aliciamento de jogadores para manipulação de resultados nas Séries A, B e C do Campeonato Brasileiro.
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De acordo com a investigação, os denunciados entravam em contato direto com atletas por meio de Instagram e WhatsApp, oferecendo propostas ligadas a apostas esportivas. Em um dos diálogos interceptados, Raphael Ribeiro orienta Rodrigo Rossi a “fechar os 2 do Goiás e 1 do Sport”, evidenciando a tentativa de envolvimento de jogadores de clubes das Séries B e C.
Segundo a denúncia, Igor Freitas se apresentava aos atletas como empresário e filho de Popó, afirmando ter acesso direto a grandes empresas e atuar em projetos estratégicos, ativações e negociações de patrocínio. Após o primeiro contato, ele repassava os números dos jogadores para Rodrigo Rossi, que dizia trabalhar com mais de 25 casas de apostas legalizadas no Brasil, dando continuidade às abordagens.
Um dos atletas procurados foi o lateral-esquerdo Reinaldo, do Mirassol. Em agosto de 2025, ele recebeu mensagens de Rodrigo Rossi, incluindo um áudio e uma mensagem de visualização única, formato utilizado para dificultar o rastreamento das conversas. O jogador recusou imediatamente a proposta.
“Irmão, obrigado, não faço isso, já falei, irmão”, respondeu Reinaldo.
A investigação também aponta desentendimentos financeiros entre os próprios denunciados. Para o MP-PR, há “considerável probabilidade de que os valores envolvidos sejam provenientes de atividades ilícitas”, relacionadas diretamente ao aliciamento de atletas e à manipulação de resultados com o objetivo de obter lucros em plataformas de apostas esportivas.
Em setembro do ano passado, o Núcleo de Londrina do Gaeco cumpriu mandados de busca e apreensão nas cidades de Salvador (BA) e Itapema (SC), em operação conjunta com os órgãos de segurança dos dois estados. Ao todo, foram executados quatro mandados de busca e apreensão e dois mandados de busca pessoal.
Igor Freitas, Rodrigo Rossi e Raphael Ribeiro foram denunciados com base no artigo 288 do Código Penal (associação criminosa) e na Lei Geral do Esporte (Lei nº 14.587/2023), que trata de crimes relacionados à corrupção esportiva. As penas previstas variam de dois a seis anos de reclusão, além de pagamento de multa.
Além das sanções penais, o MP-PR solicitou à Justiça a condenação dos acusados ao pagamento de R$ 150 mil por dano moral coletivo, como forma de reparação ao prejuízo causado à integridade do esporte e à incerteza dos resultados das competições.
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