Geral
por Mariana Cedrim
Publicado em 02/07/2026, às 05h00
Muito além de uma data comemorativa, o 2 de Julho representa um dos capítulos mais importantes da história do Brasil. Celebrado como o Dia da Independência da Bahia, o movimento marcou a vitória das forças brasileiras contra o domínio português e teve papel decisivo na consolidação da independência nacional, proclamada em 7 de setembro de 1822.
A história começou após a declaração de independência feita por Dom Pedro I, em 1822. Enquanto várias regiões brasileiras aceitaram a separação de Portugal, a Bahia permaneceu sob controle das tropas portuguesas, que resistiam ao fim do domínio colonial. Salvador tornou-se palco de uma intensa disputa política e militar, envolvendo soldados, moradores, indígenas, negros libertos e escravizados que participaram da luta pela emancipação.
O conflito ganhou força com a organização da resistência baiana, principalmente no Recôncavo, onde cidades como Cachoeira, Santo Amaro e São Félix tiveram grande importância na mobilização contra as tropas portuguesas. A população local formou grupos de resistência e contribuiu com recursos, alimentos e combatentes para fortalecer a luta pela independência.
Entre os nomes que se destacaram nesse processo estão Maria Quitéria, mulher que se disfarçou de homem para lutar no Exército Libertador e tornou-se símbolo da participação feminina nas guerras de independência; a religiosa Joana Angélica, assassinada ao defender o Convento da Lapa; e o general francês Pedro Labatut, que comandou parte das forças brasileiras durante o conflito.
A batalha decisiva ocorreu em 2 de julho de 1823, quando as tropas brasileiras entraram em Salvador após a retirada dos portugueses. A vitória representou a expulsão definitiva das forças coloniais da Bahia e garantiu a unidade territorial do Brasil como nação independente. Por isso, muitos historiadores consideram que a independência brasileira só foi realmente consolidada após a conquista baiana.
O protagonismo da Bahia nesse processo revela que a independência do Brasil não aconteceu apenas por uma decisão política no centro do país, mas também pela mobilização popular e pela resistência de diferentes grupos sociais. A participação dos baianos mostrou a força de uma sociedade que lutou pela construção de um novo país.
Para o professor e historiador baiano Rafael Dantas o principal ponto para destacar de relevância no processo de independência do Brasil na Bahia é, antes de qualquer outra coisa, o protagonismo da antiga província da Bahia, mas na figura das suas pessoas, da participação popular nesse processo, que é o que difere de outros movimentos que aconteceram no Brasil e que aqui, no que hoje conhecemos como Nordeste, nas províncias do Norte, na época, assumiram um destaque muito grande.
“Foram pessoas simples, foram homens brancos, negros, libertas, escravizados, indígenas, baianos, que juntos ajudaram a traçar o caminho do que hoje conhecemos como Brasil num cenário pós-independência. Então a importância de entender a independência do Brasil na Bahia é justamente destacar as pessoas. E é por isso que o indígena representa, de uma forma simbólica, no monumento da Praça do Campo Grande, todos esses encontros de identidades, culturas, resistência e muita história.”
Celebração
Atualmente, o 2 de Julho é celebrado com uma programação extensa no Estado, que começam no dia 25 de junho, quando a sede do Governo é transferida para a cidade de Cachoeira. Este ano, as sedes do Tribunal de Justiça e da Assembleia Legislativa da Bahia também foram transferidas para o Recôncavo Baiano.
Já no dia 30 de junho o Fogo Simbólico de Cachoeira, no Recôncavo Leste, e de Mata de São João, no Recôncavo Norte, seguem com destino a Pirajá, em Salvador, onde acontece a Cerimônia de chegada da chama ao Largo de Pirajá, com hasteamento das bandeiras, execução do Hino Nacional, acendimento da pira e homenagem ao general Labatut.
No dia histórico a programação começa às 6h com a Alvorada com queima de fogos no Largo da Lapinha, em Salvador e o hasteamento das bandeiras por autoridades. Em seguida começa o desfile cívico com as imagens do Caboclo e da Cabocla até a Parça do Campo Grande, onde às 16h hasteamento das bandeiras, execução dos hinos militares, deposição de coroas de flores, no Monumento ao 2 de Julho, e o acendimento da Pira do Fogo Simbólico.
As celebrações encerram oficiais encerram no domingo (5) com a chamada Volta da Cabocla, que é o retorno dos carros dos caboclos para a Lapinha.
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