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Ebal x permissionários: comerciantes temem demissões

Imagem Ebal x permissionários: comerciantes temem demissões

"Me admira um representante do PT não reconhecer nossa legitimidade", diz advogado da associação

Publicado em 13/10/2011, às 15h38        Caroline Gois


R$ 22.450 milhões. Este é o valor da obra que será realizada na Ceasa do Rio Vermelho, administrada pela Empresa Baiana de Alimentos (Ebal). A obra - que será realizada através de licitação oriunda de emendas parlamentares - está sendo temida por alguns permissionários da Ebal.

Segundo a presidente da associação dos permissionários, Rubina Moraes, o risco de demissões é eminente. "Com a redução dos boxes proposta durante as obras, teremos que reformular o efetivo", afirma. Rubina explica que, atualmente, há cerca de 800 empregados diretos. "Por boxe são, em média, oito funcionários. Com a reforma, seremos transferidos para uma área muito dentro da Cesta do Povo".

A presidente diz ainda que com a reforma, que terá uma duração de 18 meses, alguns permissionários não conseguirão sobreviver. "Só queremos condições de trabalho". Ela ratifica ainda que da área cedida a cada boxe - cerca de 52 m², não foi ainda confirmada se este mesmo espaço será concedido aos comerciantes após a nova Ebal.

A associação pontua também que durante a obra, quando eles estarão recolados na Cesta do Povo, 11 m² foram destinados ao restaurante, 14m² à Peixaria e carne e 7,5 m²³ a outros segmentos. "Gostaríamos que a obra fosse feita por etapa e não há como manter os funcionários num espaço oito vezes menor", pontua Rubina.

Mas, ao contrário do que diz a associação, o presidente da Ebal, Reub Celestino, rebate: "Primeiro, nem podemos dizer que existe uma associação já que até hoje não recebi documentos sobre a legalização da mesma. Esta briga é de uma minoria que está irregular", ressalta Celestino.

De acordo com o presidente, a obra, bem como as ações que permeiam esta reforma, estão voltadas para o bem estar dos permisisonários e melhorias no atendimento à população. "Há uma campanha sorrateira contra a obra porque estamos combatendo quem está errado. Não queremos levar uma 'alma suja' para o novo espaço", afirma. Reub conta que a vigilância, bem como a Sucom, já perceberam irregularidades que não podem permanecer, impossibilitando a existência de alguns boxes. "7% dos permissionátrios têm mais de 50% do mercado. Inclusive, o pet shop de Rubina já foi notificado pela vigilância", denuncia.

Reub Celestino esclarece que não há como informar quanto de espaço será disponibilizado para cada boxe após a obra. "Ainda estamos fazendo a análise de todo espaço. Durante este processo provisório todos terão prejuízo", salienta. Ele conta que durante a reforma a Ebal terá uma prejuízo de quase R$ 14 milhões de reais. "Não entendo porque tanto problema já que a obra vem para beneficiar a todos e claro que, queremos limpar coisas erradas que já foram notificadas pelos órgãos reguladores", completa.



Já Daniel Ribeiro, advogado da associação, critica Reub: "Me admira um representante de um órgão do estado, do PT, não reconhecer a legitimidade de uma associação de trabalhadores". Segundo Daniel, a associação existe há dois anos e documentos garantindo a legitimidade já foram entregues na Ebal e no Ministério Público.

Com relação aos boxes irregulares, o advogado informa que uma ação contra a Ebal já foi instaurada, em 2008, pelo Ministério Público, devido à falta de estrutura que o local apresentava. "O mercado foi notificado pela vigilância sanitária e os permissionários são os mais prejudicados, já que, esssa estrutura deve ser oferecida e garantida pela Ebal", explica.

Com a reforma, a Ebal irá duplicar a área de atendimento e disponibilizará estacionamento coberto para 300 carros, 60% a mais de espaço para o comércio, bem como - segundo Reub Celestino  - equipamentos modernos e de alta tecnologia. Por mês, o permisisonário, conforme a associação, tem um custo entre aluguel e condomínio de R$ 2.500. A briga já foi parar na Justiça.


Fotos: Gilberto Junior/ Bocão News

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