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Cidade de 10 mil habitantes é paraíso de influenciadores, mas refúgio do crime organizado

Reprodução / Google Maps
Pequena cidade transformou-se em cobiçado destino de lazer para influenciadores e funkeiros  |   Bnews - Divulgação Reprodução / Google Maps
Leonardo Oliveira

por Leonardo Oliveira

Publicado em 11/06/2025, às 13h44



A pequena cidade de Igaratá, com pouco mais de 10 mil habitantes e a apenas 100 quilômetros da capital paulista, transformou-se em um cobiçado destino de lazer para influenciadores e funkeiros.

O local, que nos anos 1960 teve sua área urbana original alagada para a construção da represa do Jaguari, hoje vê suas águas atraírem um público em busca de ostentação e festas, mas também se torna um ponto de interesse para o crime organizado.

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A represa, cercada por mansões e sete cachoeiras, virou um verdadeiro playground para entusiastas de esportes náuticos. Aos fins de semana, o intenso movimento de lanchas e jet-skis gera ruído e preocupação com acidentes. Clayton Levi, empresário de uma náutica na região, observa que o perfil dos visitantes mudou nos últimos cinco anos.

"Não existe crescimento que não traga problemas", afirma Levi. "Essa fama tem o seu lado bom, que é trazer mais pessoas. Tenho clientes que conheceram aqui porque os filhos viram nas postagens de influenciadores. Os imóveis também valorizaram muito. Mas também trouxe um pouco de bagunça, que acaba assustando moradores mais antigos."

O hype dos "Medleys" e a atenção do crime

A popularidade de Igaratá foi impulsionada por funkeiros, que passaram a gravar clipes na represa. O sucesso deu origem a uma série de hits conhecidos como "Medley Igaratá", que viralizaram em plataformas como o TikTok. "Vou te levar pra Igaratá, pra transar e andar de lancha", canta MC Negão Original em uma das músicas.

Contudo, essa visibilidade trouxe consequências negativas. No último Natal, o rapper Oruam foi investigado após gravar um vídeo disparando uma arma para o céu em um sítio na cidade. Outro nome conhecido, o influenciador Buzeira, dono de uma mansão de R$ 18 milhões à beira da represa, teve seu imóvel associado ao empresário Vagner Borges Dias, o Latrell Brito, preso por suspeita de fraudar licitações em favor de empresas ligadas ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

As conexões com a facção criminosa são profundas. Um promotor do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) afirmou, em condição de anonimato, que é raro encontrar investigações sobre o PCC em que nenhum alvo tenha vínculos com a cidade. A facção utiliza Igaratá para lazer, investimento e como ponto de encontro.

Entre os episódios que ilustram essa ligação está uma suposta festa realizada na cidade em novembro para comemorar o assassinato de Vinicius Gritzbach, delator do PCC. Além disso, figuras proeminentes da facção possuem propriedades no local.

Ademir Pereira de Andrade, apontado como operador financeiro do grupo, tem uma mansão com uma réplica do Cristo Redentor. Seu vizinho era Caio Bernasconi Braga, o "Fantasma da Fronteira", um dos maiores traficantes do país, preso no local enquanto enviava toneladas de cocaína para a Europa.

Até mesmo policiais militares suspeitos de ligação com o PCC frequentavam sítios de criminosos na cidade para andar de jet-ski, segundo investigações da Corregedoria da PM.

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Visão das autoridades e desafios locais

Apesar das evidências, o delegado de Igaratá, Cláudio Boto, minimiza a ideia de que a cidade virou uma "colônia de férias" para criminosos. Segundo ele, o município continua sendo pacato e as principais ocorrências são de perturbação de sossego devido às festas promovidas por influenciadores em chácaras alugadas.

Para o empresário Clayton Levi, o maior desafio atual não é a desordem, mas a falta de mão de obra para atender à crescente demanda turística. "A cidade precisa de uma política mais estruturada de incentivo ao turismo. Quem vem aqui se apaixona, não culpo essa molecada", conclui.

Classificação Indicativa: Livre

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