Geral
por Rebeca Santos
Publicado em 11/11/2025, às 06h00
Fundada em 2018, em Salvador (BA), a Dendezeiro nasceu do olhar criativo de Hisan Silva e Pedro Batalha, que enxergam a moda não apenas como vestimenta, mas como expressão de identidade, diversidade e emancipação.
“Buscamos ser o movimento cultural além da moda”, afirmam os fundadores.
Desde sua criação, a Dendezeiro se destacou por romper com padrões e desafiar as estruturas tradicionais da indústria. Sua proposta é usar a moda como ferramenta de inclusão, representatividade e transformação social.
O foco da marca está em modelagens inteligentes, pensadas para vestir diferentes corpos, compreendendo que entre as tabelas de medidas há uma infinidade de pessoas que não se encaixam em padrões.
A Dendezeiro também é agênero, acredita que as roupas são instrumentos de expressão, não de definição. Cada coleção é uma celebração da diversidade humana, da cultura baiana e da riqueza nordestina, com o propósito de empoderar indivíduos e ressignificar os espaços da moda.
A moda como espaço de resistência
A marca se consolidou como um símbolo da pluralidade brasileira, explorando narrativas históricas e sociais em suas coleções.
Em “BRASILIANO 1: Filhos do Sol” (2024), os designers mergulharam no Brasil da década de 1930, período do regime de Getúlio Vargas, para refletir sobre os contrastes entre o controle estatal e a resistência popular do sertão.
Já em “BRASILIANO 2: A Puxada pro Norte” (2025), a marca resgatou a memória da Cabanagem, revolta esquecida entre 1835 e 1840 , criando um manifesto visual contra o apagamento histórico.
A coleção foi um tributo à força das margens e às vozes que ecoam dos rios amazônicos.
A Dendezeiro avança com “BRASILIANO 3: Lei da Vadiagem”, continuação da série que propõe um diálogo entre passado e presente.
A nova coleção reflete sobre a antiga legislação que marginalizava as culturas periféricas e negras, fazendo um paralelo com os bailes funk atuais, muitas vezes estigmatizados.
O desfile contou com a presença de nomes como MC Carol e MC Cabelinho, que além de vestirem as peças, simbolizam a resistência cultural das periferias.
No design, a Dendezeiro uniu alfaiataria e estética urbana, criando looks que transitam entre o formal e o streetwear.
As modelagens oversized, os tecidos como tweed e jeans, e os acessórios de miçangas e óculos da parceria com a Zerezes imprimiram um luxo artesanal e autêntico.
Nos pés, os calçados assinados por Kenner e Jordan reforçaram a conexão entre moda de rua.
Moda que emancipa e deixa legado
Com o lema “Dez letras, um único impacto”, a Dendezeiro vai além das passarelas.
A marca se tornou conhecida pelo #RespeitaMeuCapelo, projeto que começou como um gesto simbólico pela diversidade e virou lei, garantindo que formandos possam usar capelos que respeitem diferentes tipos de cabelo. A iniciativa foi reconhecida internacionalmente, conquistando prêmios em Cannes, e reafirma o propósito da marca.
Cada peça da Dendezeiro carrega uma narrativa de luta e ancestralidade. É um movimento que traduz a alma da Bahia e do Nordeste para o mundo, reafirmando que a moda é, acima de tudo, uma forma de existir.
“Nosso objetivo é ser a representação global da cultura baiana e nordestina, usando a moda como plataforma para promover a pluralidade, a diversidade e a autenticidade, empoderando indivíduos e desafiando os padrões da indústria da moda.”
Classificação Indicativa: Livre
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