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Entre o flerte e o assédio: homens relatam insegurança e especialistas defendem limites claros

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Homens têm relatado receio de iniciar flerte com mulheres por medo de atitude ser entendida como assédio ou importunação  |   Bnews - Divulgação Imagem criada por IA
Redação Bnews

por Redação Bnews

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Publicado em 17/05/2026, às 13h06



O receio de ser acusado de assédio tem levado parte dos homens a relatar dificuldades para iniciar interações amorosas, cenário que ganhou visibilidade nas redes sociais. Comentários sobre o tema se multiplicaram após um vídeo do influenciador e humorista Yuri Viana viralizar ao retratar, de forma cômica, um encontro em que um homem hesita em tomar iniciativa enquanto a mulher aguarda um gesto de aproximação. A repercussão motivou Yuri a produzir conteúdos educativos sobre limites, consentimento e formas respeitosas de abordagem.

Especialistas ouvidos em matéria da Folha de São Paulo publicada neste domingo (17) afirmam, no entanto, que o debate sobre assédio envolve questões de poder, reciprocidade e mudanças nas relações de gênero. Para a advogada Marina Ganzarolli, a percepção de que “tudo virou assédio” ganhou força com as redes sociais, mas reflete também uma resistência às transformações sociais. Segundo ela, ainda faltam referências de masculinidade dissociadas da insistência, do controle e da ideia tradicional de autoridade masculina.

Na avaliação da psicanalista Luciana Saddi, muitos homens se sentem desorientados diante das novas dinâmicas afetivas, especialmente porque antigos modelos de masculinidade perderam centralidade. Ainda assim, ela pondera que diferenças de expectativa não justificam ultrapassar limites e ressalta que insistir diante da falta de interesse deixa de ser um mal-entendido para se tornar desrespeito.

A psicóloga Mayumi Kitagawa destaca que homens e mulheres frequentemente convivem com medos distintos nas interações: enquanto alguns homens temem interpretações negativas, muitas mulheres avaliam riscos relacionados à própria segurança. Para ela, isso não representa o fim da paquera, mas exige adaptação a formas de interação baseadas em reciprocidade, leitura de sinais e respeito à ausência de interesse.

Especialistas ouvidas reforçam que o flerte depende de troca mútua, continuidade da conversa e consentimento, verbal ou não verbal. Sinais como afastamento, hesitação, falta de resposta ou mudança de assunto podem indicar desinteresse. Já comportamentos insistentes, invasivos ou sem consentimento podem configurar crimes previstos em lei, como importunação sexual, perseguição (stalking), ameaça, constrangimento ilegal, assédio sexual em relações hierárquicas e violência psicológica.

Classificação Indicativa: Livre

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