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Espetáculo que conta história de ex-padre da Lapinha estreia em São Paulo

Reprodução/Luis Ushirobira/SESC São Paulo
O espetáculo Padre Pinto: a narrativa (re)inventada estreia na próxima sexta (24)  |   Bnews - Divulgação Reprodução/Luis Ushirobira/SESC São Paulo
Lucas Pacheco

por Lucas Pacheco

lucas.pacheco@bnews.com.br

Publicado em 18/01/2025, às 21h36 - Atualizado às 22h23



O espetáculo Padre Pinto: a narrativa (re)inventada irá estrear em São Paulo na próxima sexta-feira (24), no teatro Sesc Pompeia, às 20h. A peça conta a história do icônico, polêmico e histórico ex-pároco da Paróquia da Lapinha, em Salvador, José de Souza Pinto, famoso pelos rituais de danças nas celebrações regiliosas, e que morreu em 2019.

Com texto do dramaturgo e diretor baiano Luiz Marfuz, o espetáculo, que conta com nomes como Ricardo Bittencourt (como Padre Pinto), Sérgio Marone como Emissário, Ágatha Matos, Gabriel Frossard, entre outros, mostra o progatonista envolvido em diversos temas, como intolerância religiosa, sexualidade, preconceito social e racial, além das tensões entre o sagrado e o profano.

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A hisória é dividida em três atos:

  • (1) Ascensão e Glória;
  • (2) Queda e Explosão;
  • (3) O silêncio de Deus.

Luiz Marfuz afirma que a história de Padre Pinto o aproxima do estudo dos comportamentos humanos .

“A peça parte da ideia de que o espetáculo humano e cultural, vivenciado por Padre Pinto, se instaurou na sua vida e não no teatro. Isso o aproxima do espírito da etnocenologia – o estudo dos comportamentos humanos espetacularmente organizados no cotidiano -, uma das bases de pesquisa. Em vez de teatralizar a vida no palco, Padre Pinto instaurou a espetacularidade no dia a dia da Paróquia da Lapinha, onde foi pároco por mais 32 anos. Para isso, cantou e dançou ritos inspirados nas manifestações dos povos originários e africanos dentro da igreja e nas tradicionais festas de reis, que ele revitalizou", disse o dramaturgo e diretor ao Jornal do Brás. 

Bailarino clássico formado pelo Teatro Municipal do Rio de Janeiro, Padre José de Souza Pinto ficou famoso em todo o Brasil, em 2006,  após algumas de suas performances durante as celebrações do Terno de Reis viralizar no noticiário nacional e por revitalizar as celebrações religiosas da Paróquia da Lapinha, que ele comandava desde 1974. Criador do Terno da Anunciação, o religioso chegou a se vestir de Oxum e acabou afastado da paróquia e de suas atividades sacerdotais por ordem do então arcebispo de Salvador e Primaz do Brasil, cardeal Dom Geraldo Majella Agnelo. 

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Em uma nota pública divulgada à época, o arcebispo  afirmou que o padre precisava de "cuidados terapêuticos".

"As apresentações do Padre José de Souza Pinto, religioso da Sociedade das Divinas Vocações, se colocaram fora da normalidade e, por isso, causaram perplexidade entre as autoridades presentes, os fiéis e os demais participantes dos festejos. Ademais, os comportamentos manifestados naquela ocasião estão a merecer cuidados terapêuticos, cujas providências estão sendo tomadas por parte dos superiores da sua Congregação e da Arquidiocese", disse. 

Alguns anos após o afastamento, Padre Pinto foi nomeado vigário da Paróquia São Caetano da Divina Providência, no bairro de São Caetano, também em Salvador, onde passou a ter uma vida reclusa e discreta. Ele morreu aos 72 anos, em 2019. 

Classificação Indicativa: Livre

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