Geral

Gigante dos automóveis demite 20 mil funcionários em meio a crise histórica

Divulgação
A montadora japonesa planeja eliminar 20 mil postos de trabalho e fechar fábricas em resposta a resultados financeiros negativos  |   Bnews - Divulgação Divulgação
Analu Teixeira

por Analu Teixeira

Publicado em 19/08/2026, às 21h48



Uma das maiores fabricantes de automóveis do mundo atravessa uma das maiores reestruturações de sua história recente. A Nissan colocou em execução um plano que prevê a eliminação de aproximadamente 20 mil postos de trabalho em diferentes países, além de reduzir significativamente sua estrutura industrial ao redor do mundo.

Acompanhe as principais notícias também no nosso canal do YouTube; clique aqui

Siga o BNews no Google e receba as principais notícias no seu celular

Google News Bnews

Os cortes representam cerca de 15% da força de trabalho global que a companhia possuía quando a medida foi anunciada. O processo ocorre de forma gradual e atinge diferentes áreas administrativas, comerciais, logísticas e industriais.

A primeira etapa da reestruturação previa a redução de aproximadamente 9 mil empregos. Em maio de 2025, no entanto, a montadora aprofundou o plano e anunciou outros 11 mil cortes, elevando para cerca de 20 mil o total de postos que pretende eliminar.

As fábricas também estão no centro da estratégia. A Nissan pretende reduzir sua estrutura mundial de produção de 17 para dez unidades, o equivalente à retirada de sete plantas da rede global. O processo envolve desde encerramentos definitivos até consolidação e transferência de operações.

Parte das mudanças já saiu do papel. Na Argentina, a Nissan encerrou, em outubro de 2025, a fabricação de veículos na unidade de Santa Isabel. A decisão integrou uma reorganização mais ampla das operações da companhia na América Latina.

Outro encerramento atingiu uma das fábricas mais tradicionais da montadora. Em março de 2026, a produção chegou ao fim na unidade CIVAC, no México, após aproximadamente seis décadas de atividade. A operação havia começado em 1966 e acumulou mais de 6,5 milhões de veículos produzidos.

Com o fechamento, a fabricação foi concentrada no complexo industrial de Aguascalientes, também em território mexicano.

A reestruturação alcançará ainda o Japão. A unidade de Shonan deverá deixar de fabricar automóveis até março de 2027, enquanto a produção na histórica fábrica de Oppama tem encerramento previsto para março de 2028.

Oppama iniciou suas atividades em 1961 e ganhou importância também na história dos veículos elétricos da Nissan. Foi na unidade que a montadora começou, em 2010, a produção do Leaf em larga escala.

A decisão de enxugar as operações acontece após uma sequência de resultados negativos. No ano fiscal encerrado em março de 2025, a Nissan registrou prejuízo líquido de aproximadamente 671 bilhões de ienes, enquanto o lucro operacional apresentou queda expressiva.

No exercício seguinte, encerrado em março de 2026, a fabricante voltou a registrar prejuízo líquido, desta vez de 533,1 bilhões de ienes. As vendas globais também recuaram 5,8%, chegando a aproximadamente 3,15 milhões de veículos.

Entre os desafios enfrentados pela empresa estão a crescente concorrência das fabricantes chinesas, especialmente no mercado de veículos elétricos, além da perda de espaço em mercados importantes, como Estados Unidos e China.

O período também foi marcado pelo fracasso das negociações para uma possível fusão com a Honda. As conversas chegaram a criar a expectativa de formação de um dos maiores grupos automotivos do mundo, mas terminaram sem acordo.

Sob o comando do CEO Ivan Espinosa desde abril de 2025, a Nissan passou a acelerar a redução de despesas. Uma das metas da reestruturação é cortar aproximadamente 500 bilhões de ienes em custos, além de diminuir a complexidade do desenvolvimento e da produção dos veículos.

Apesar da dimensão global da reestruturação, a principal fábrica brasileira da Nissan permanece nos planos da companhia.

O complexo industrial de Resende, no Rio de Janeiro, segue em operação e produz os modelos Kicks e Kait. A montadora também concluiu um ciclo de R$ 2,8 bilhões em investimentos no Brasil, destinado principalmente à modernização da unidade e à preparação das linhas para novos veículos.

O país, entretanto, não passou totalmente ileso pela reorganização. A empresa decidiu encerrar seu centro de design em São Paulo como parte das mudanças mundiais na área de desenvolvimento e design. Não foi divulgado o número de empregos afetados pela decisão.

Até o momento, não há anúncio de demissão em massa ou encerramento da fábrica de Resende. As medidas de redução de custos começaram a aparecer nos resultados mais recentes. No trimestre encerrado em junho de 2026, a Nissan registrou lucro operacional de 77,9 bilhões de ienes, revertendo o prejuízo operacional de 79,1 bilhões de ienes registrado no mesmo período do ano anterior.

O resultado marcou o quarto trimestre consecutivo de lucro operacional da companhia. Apesar da melhora, a montadora ainda enfrenta dificuldades para recuperar suas vendas. Em agosto, a Nissan reduziu em 5% sua projeção de vendas globais para o atual exercício, para aproximadamente 3,15 milhões de veículos, diante principalmente do desempenho abaixo do esperado no mercado chinês.

A estratégia agora é concluir uma das maiores reorganizações de sua história, tornando a operação menor e menos custosa para tentar recuperar a rentabilidade em meio ao avanço de novos concorrentes no mercado automotivo mundial.

Classificação Indicativa: Livre

Facebook Twitter WhatsApp


Cadastre-se na Newsletter do Bnews (Beta)