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Historiador analisa Independência do Brasil e a continuidade da desigualdade social: "Não assegurou direitos"

Historiador fala sobre desigualdade social no Brasil e destaca contexto de independência - Arquivo pessoal
Historiador explica desigualdade social no Brasil a partir do contexto da independência  |   Bnews - Divulgação Historiador fala sobre desigualdade social no Brasil e destaca contexto de independência - Arquivo pessoal
Bruna Ferraz

por Bruna Ferraz

Publicado em 07/09/2024, às 05h00



Há 202 anos o Brasil é considerado oficialmente como uma nação independente. Segundo a literatura histórica, foi em 1822, às margens do Rio Ipiranga, que Dom Pedro de Alcântara de Bragança, na época, príncipe regente do Brasil, entoou o grito de independência do país.

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De lá para cá, contudo, o que se construiu ao longo de anos como nação independente foi um país marcado pela desigualdade social e discrepâncias socioeconômicas. Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), no Brasil, o 1% mais rico da população detém 28,3% da renda total.

Esses dados colocam o Brasil na lista dos países mais desiguais do mundo. De acordo com o historiador, professor, palestrante e curador Rafael Dantas, este contexto social complexo se explica no passado e se consolidou no âmbito da independência.

Em entrevista ao Bnews, Dantas destacou que o processo do país se tornar independente no século XIX não assegurou direitos, pelo contrário, priorizou parcela com maior poderio econômico e agravou a instabilidade entre os demais setores.

“O grande ponto para a gente entender é destacar como um processo de independência no século XIX na verdade não assegurou direitos, não assegurou diminuições e desigualdades ou um projeto mais assertivo para a população, pelo contrário, foi um projeto que de uma forma muito clara privilegiou as elites, os grupos políticos, principalmente de contextos específicos no contexto dos anos 20”.

Dentro desse processo de desprestígio e de desigualdade, alguns subgrupos, em específico, foram prejudicados de maneira ainda mais significativa, trazendo reflexos ainda presentes. A questão racial, por exemplo, configura como um dos elementos de agravação desse abismo social.

“É possível sim dizer que essa realidade de desigualdade que tem um cunho racial, que tem um cunho social muito evidente no Brasil, toca diretamente nesse paralelo do que representou o processo de dependência entre 1822 e 1823, em uma ação que de fato não foi participativa, mas sim comandada pelas elites e voltada para as elites”, categorizou o historiador.

Os reflexos atuais de um processo complexo, que teve início na descoberta do território brasileiro pela Europa, e que se agravou durante o processo de independência elitizada desse país que se formou, permanecem em destaque. Sobretudo tendo em vista a má distribuição de renda, historiadores e sociólogos não trazem diagnósticos positivos de mudança desse perfil social desigual.

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