Geral

Jovens transformados pela Base Comunitária: Como a Polícia Militar da Bahia está mudando vidas no Bairro da Paz

Devid Santana/ Bnews
A Base Comunitária do Bairro da Paz é referência para os moradores  |   Bnews - Divulgação Devid Santana/ Bnews

Publicado em 15/02/2025, às 06h00   Andrêzza Moura



Matheus Carvalho, estudante de Fisioterapia da Universidade do Estado da Bahia (Uneb) e ex-aluno do curso preparatório da Base Comunitária de Segurança(BCS) Bairro da Paz, em Salvador, é um exemplo inspirador de como as ações sociais da Polícia Militar da Bahia (PMBA) têm um impacto positivo nas vidas dos jovens. Quando chegou à Base, em 2017, com apenas 14 anos, para se preparar para o vestibular do Instituto Federal da Bahia (Ifba), ele sentiu que finalmente estava no caminho certo.

Siga o BNews no Google e receba as principais notícias no seu celular

Google News Bnews

Morador de São Cristóvão, bairro vizinho ao Bairro da Paz, Matheus vivia com muitos sonhos, mas sentia que as oportunidades eram escassas. "Aqui [BCS] foi uma porta aberta para a realização dos meus sonhos", conta ele. Além do cursinho pré-Ifba, Matheus também participou do projeto Jovem Aprendiz, onde estagiou por dois anos em uma empresa parceira da PM. "Foi uma experiência enriquecedora, aprendi muito. Sou muito grato pela oportunidade que tive aqui", afirmou com gratidão.

A trajetória de Matheus ilustra como os projetos sociais da BCS Bairro da Paz são transformadores. Eles estreitam a relação entre a comunidade e a PM, impactando positivamente a vida de crianças e jovens da região. Desde sua criação, em 13 de setembro de 2012, a Base tem promovido diversas ações sociais.

O soldado e advogado Salatiel Santos dos Santos, que trabalha na Base desde sua inauguração, tem visto de perto a transformação da comunidade. "No início, a Base não era como é hoje. Focamos em intensificar os projetos sociais, e isso fez a diferença. A população passou a nos procurar, muito mais do que pelos patrulhamentos", relatou Salatiel.

"No início, não conhecia o Bairro da Paz. Quando me formei e vim para cá, ouvi falar que o bairro tinha muitos homicídios, tráfico de drogas e aluguel de armas. Nos três primeiros anos, a Base não era como é hoje. Aí, intensificamos os projetos e me enveredei para o lado da ação social. Os projetos sociais fazem com que a população nos procure. Eles atingem mais o público do que os patrulhamentos", afirmou Salatiel.

A paixão do soldado pelo trabalho social é tão grande que ele não consegue se afastar da comunidade, nem nos dias de folga. Querido por todos, Salatiel é constantemente procurado por moradores que buscam oportunidades de trabalho. Ele faz a ponte entre as empresas e os moradores do bairro.

"Eles não fazem questão de sair do bairro, eles se realizam aqui dentro. Às vezes, recebo um currículo e eles me pedem: 'Salatiel, bota aí esse currículo para mim, não coloca lá fora, não. É aqui dentro'", explicou o policial com risos, destacando a amizade e a confiança entre a PM e a comunidade local. Graças a esse trabalho, muitos moradores conseguiram empregos em empresas dentro do próprio bairro.

Além do trabalho da PM, a Base conta com o apoio de voluntários como o professor e técnico de boxe Edson Ventura. Ele chegou à Base em meados de 2023 para ensinar crianças e jovens da comunidade e logo ampliou o número de alunos do projeto, que já acontecia na Escola Mestre Paulo dos Anjos, no bairro.

"Para mim, é muito gratificante poder contribuir com esse trabalho. O esporte traz disciplina e afasta os jovens do caminho errado. Quando uma criança me diz: 'professor, você vai me fazer campeão', me sinto realizado. Não sou só um professor de boxe, sou também pai, amigo, psicólogo. Para mim, isso não tem preço", afirmou Edson, que formou cerca de 100 atletas, todos cadastrados na Federação de Boxe do Estado da Bahia (FBEB).

Um desses atletas é sua filha, Thifany Amorim, de 18 anos, campeã brasileira, interestadual, baiana, municipal e dos Jogos Abertos de São Paulo na categoria juvenil de 54 quilos. Thifany, que chegou à Base em 2023, aos 16 anos, também se sente grata por ter sido acolhida. "A Base nos acolheu da melhor forma. Não só o projeto, mas todas as crianças do bairro", disse a jovem campeã.

Letícia Argolo, voluntária recém-chegada à unidade policial e desenvolvedora de software e arte educadora, também foi impactada pela realidade da Base. Ela se inscreveu no Portal do Voluntariado em 2020 e só foi chamada agora, quase cinco anos depois, para contribuir com suas habilidades. Letícia vai ministrar aulas de sociologia e educação financeira. Ela ficou surpresa ao descobrir a verdadeira dinâmica entre a PM e a comunidade.

"Eu, que estava fora dessa realidade, tinha uma visão completamente diferente. Achava que a polícia estava ali para somar à violência, mas, ao ouvir os relatos dos policiais, vi que eles transformam armas em canetas. Isso foi muito interessante, o brilho no olho do sargento me contando sobre os projetos", compartilhou Letícia, emocionada. Ela acredita que o trabalho da Base precisa ser mais divulgado e mostrado para o resto da cidade.

Mem Costa de Sousa, professor de História e articulador social, morador do Bairro da Paz há 37 anos, também celebra a boa relação entre a PM e a comunidade. "No início, a comunidade ficou muito receosa. Acompanhávamos a implantação de bases em outros locais. E hoje a nossa Base é uma referência, talvez a melhor no Brasil", comentou Mem, ressaltando a luta que o capitão Henrique, o primeiro comandante da Base, enfrentou para conquistar a confiança da comunidade.

Hoje, a Base conta com cerca de 63 projetos cadastrados, que, de acordo com o soldado Salatiel, não são mais considerados apenas "projetos", mas parcerias com a comunidade que acontecem em diversos lugares. A Base não é apenas um ponto de apoio, mas uma rede de transformação.

Classificação Indicativa: Livre

Facebook Twitter WhatsApp


Cadastre-se na Newsletter do Bnews (Beta)