Salvador
Publicado em 05/02/2025, às 06h00 - Atualizado às 06h27 Andrêzza Moura
O ano era 1825, quando Dom Pedro I, o primeiro Imperador do Brasil, criou, por meio de um decreto publicado no Diário Oficial do Império em 17 de fevereiro, o Corpo de Polícia da Província da Bahia, atual Polícia Militar da Bahia (PM-BA). Naquela época, com 238 homens, a instituição, que teve a missão de manter a ordem e a segurança na província, ainda não contava com veículos automotores.
As rondas eram realizadas principalmente a pé, mas também a cavalo, refletindo as limitações de mobilidade do século XIX. A Cavalaria, a segunda unidade mais antiga da corporação baiana e integrada aos trabalhos dos policiais nas ruas logo após a criação do Corpo Militar, segue em operação até hoje.
Os primeiros registros do uso de automóveis pelas tropas do 4º Corpo de Polícia do Brasil datam de meados do século XX. "Só temos a notícia desses veículos quando eles surgem, já no século 20. Aproximadamente em 1930-1940, começam a chegar gradativamente. Temos registros de caminhões [agulha] que chegam, principalmente, para o transporte de tropas, além de transporte de material", explicou o Tenente-coronel Raimundo Marins, historiador e chefe da Coordenação de Documentos e Memória da PM-BA.

De acordo com Marins, esses veículos foram adquiridos com o objetivo de facilitar o transporte dos soldados, especialmente em áreas de forte atuação do cangaço — movimento considerado um braço do banditismo social ocorrido na região semiárida do Nordeste do Brasil e liderado por Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, "Rei do Cangaço".
O historiador revelou que não se sabe ao certo quais foram os primeiros veículos a serem colocados a serviço da Polícia da Província da Bahia. Contudo, ressaltou que, ao longo dos anos, as frotas passaram por diversas transformações, adaptando-se às necessidades de cada região do estado e também às demandas do patrulhamento.
Ao longo das décadas, diversos veículos foram incorporados à frota militar baiana, incluindo modelos como Jeep, Fusca, Variant, Caravan, Parati e Veraneio. Registros mostram que essas viaturas foram usadas entre os anos de 1960 e 1990. O Jeep foi a primeira viatura operacional integrada aos serviços da polícia após a 2ª Guerra Mundial. O Fusca, conhecido como "Baratinha", também passou a ser usado nas ruas na segunda metade do século.

As transformações e modernizações da PM continuaram nos anos subsequentes, refletindo, não apenas mudanças estéticas, mas também tecnológicas, com o objetivo de atender às necessidades operacionais da corporação e garantir a segurança pública e a proteção da população.

Atualmente, além dos carros usados no patrulhamento diário e da Cavalaria, a Polícia Militar da Bahia conta com caminhões, caminhonetes, ônibus, motocicletas, bicicletas, embarcações, bases móveis, motos aquáticas, aviões, helicópteros e quadrículos. Algumas dessas viaturas são blindadas e equipadas com sistemas de comunicação avançados, câmeras de monitoramento e rastreamento GPS, o que possibilita maior eficiência nas operações.
"Como sabemos, a Bahia tem uma área territorial enorme. Vamos fazer um exemplo aqui, é evidente que na Caatinga, na região do semiárido, não é a mesma viatura que vai fazer patrulhamento no setor urbano, e vice-versa. Então, é feito um estudo para que haja sempre uma adequação às necessidades do policiamento e também na escolha das viaturas", conclui o Tenente-coronel Marins.

VIATURAS
Viaturas de Patrulha
- Chevrolet Onix: Utilizado principalmente para patrulhamento urbano, é um veículo compacto e ágil. Possui sistema de comunicação integrado, sirenes e iluminação de emergência.
-Toyota Hilux: Um utilitário esportivo robusto, ideal para operações em terrenos acidentados. Tem capacidade para transportar equipes em campo, equipada com rádio, GPS e kit de primeiros socorros.
- Ford Ranger: Semelhante à Hilux, oferece alta durabilidade e desempenho em diversas condições. Tem sistemas de rastreamento e monitoramento, além de espaço para equipamentos de segurança.
Motocicletas
- Honda CB 500F: Motocicleta de alta cilindrada, utilizada por equipes de patrulhamento rápido e intervenções. São equipadas com luzes de emergência, comunicação via rádio e coletes reflexivos.
Caminhões e Ônibus
- Caminhões Volkswagen: Adaptados para transporte de tropas e equipamentos diversos. Tem capacidade para abrigar equipes durante operações prolongadas, com espaço para manutenção do material.
- Ônibus Adaptados: Usados como bases móveis durante grandes eventos ou operações. São equipados com tecnologia de comunicação, computadores e áreas para planejamento estratégico.
Embarcações
- Lanchas Rápidas: Utilizadas para patrulhamento em rios e costas baianas.
São equipadas com motores potentes, sistemas de navegação GPS e equipamentos de resgate.
Helicópteros
-Helicópteros Esquilo (AS350): Helicópteros leves usados para apoio aéreo em operações policiais. Têm câmeras térmicas para vigilância noturna e sistemas de comunicação integrados.
Veículos Blindados
- Veículo Blindado Guarani: Veículo blindado projetado para operações em áreas de risco elevado. Têm blindagem reforçada, capacidade para transportar equipes e armamento leve.
EVOLUÇÃO HUMANA CAMINHA JUNTO À AVANÇOS TECNOLÓGICOS
Como evidenciado, de 1825 até hoje, ao longo de seus 200 anos de existência, a Polícia Militar da Bahia passou por inúmeras transformações físicas e inovações tecnológicas, sempre acompanhadas por uma tropa fiel aos princípios e mandamentos da instituição. Atualmente, são quase 30 mil homens e mulheres espalhados por todo o estado. Um desses policiais que presenciaram essas mudanças é o Tenente-coronel e historiador Raimundo Marins, que, há 40 anos, está a serviço da corporação e da sociedade.

"Sou testemunha [dos avanços]. Eu posso testemunhar como era a polícia em 1985 [ano de ingresso na PM] e de como é hoje, em 2025. Tenho orgulho de estar na instituição, sem dúvida. Eu não perco a oportunidade de dizer isso. Só teria outra profissão se não fosse policial militar. Com certeza, seria frustrado", afirmou o oficial.
Outro que acompanhou essas mudanças é o Sargento RR/C Paulo Magno, reincorporado à PM há um ano. Depois de 27 anos e seis meses de serviços prestados, ele se aposentou, mas, ao surgir a oportunidade de voltar à instituição, não pensou duas vezes.
"Bom, eu presenciei várias evoluções. Inclusive, trabalhei com informática no lançamento de uma unidade no SRH [Sistema de Recursos Humanos], que era tudo manual, e depois passou para o computador. Também trabalhei em assistências militares, acompanhamento de autoridades, batalhões, unidade especializada, que é o batalhão de guarda, fazendo escolta de presos. Voltei porque me aposentei novo e ainda tinha muito gás [para gastar]", disse o sargento, que atualmente é um dos fotógrafos da PM-BA.

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