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Mãe de santo denuncia pastor por quebrar imagens religiosas de terreiro na Bahia

Mãe Deca é a religiosa responsável pelo terreiro Ilê Axé Tonan Onirê - Arquivo Pessoal
O episódio aconteceu duas vezes e medida protetiva foi solicitada  |   Bnews - Divulgação Mãe Deca é a religiosa responsável pelo terreiro Ilê Axé Tonan Onirê - Arquivo Pessoal
Elisa Martins

por Elisa Martins

mariaelisamartinssouza14@gmail.com

Publicado em 15/09/2026, às 19h24 - Atualizado às 20h24



Uma mãe de santo, conhecida como Mãe Deca, denunciou um pastor evangélico após dois ataques a imagens religiosas que ficavam na frente de um terreiro, em Santo Amaro, no Recôncavo da Bahia. Os ataques ocorreram em agosto deste ano e, de acordo com a Polícia Civil, o inquérito policial foi concluído e enviado à Justiça no sábado (12). Ninguém foi preso. 

"Ele quebrou o assentamento de Exu e disse que foi Deus quem mandou", afirmou.

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De acordo com Mãe Deca, esse foi o primeiro ataque nos quase 30 anos do terreiro Ilê Axé Tonan Onirê. Ele funciona no distrito de Acupe, em Santo Amaro, desde 1998. 

O primeiro vandalismo, que ocorreu no dia 4 de agosto, arrancou a cabeça da imagem de Exu. Relatos afirmam que o homem foi até o local e quebrou o assentamento do orixá que ficava na frente do templo há três anos. O assentamento é um altar religioso que, para as religiões de matriz africana, canaliza energia e a representação física da entidade.

Exu é o orixá da comunicação, mensageiro divino e abridor de caminhos.

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Depois da destruição, a mãe de santo refez o assentamento e procurou o suspeito, mas foi ameaçada. De acordo com ela, o pastor declarou que quebraria novamente a imagem e que, se ela interviesse, ela também seria “quebrada”. No momento, testemunhas que estavam no local precisaram segurar os dois para evitar agressões.

Em 30 de agosto, o orixá foi totalmente quebrado. O assentamento de Exu foi vandalizado novamente.

O caso foi denunciado na Delegacia de Santo Amaro e uma medida protetiva foi solicitada. A religiosa e o terreiro foram orientados pela Associação Brasileira de Preservação da Cultura Afro-Ameríndia (AFA). 

Para a mãe de santo, o registro formal da queixa deve ser feito não só para garantir a  segurança dos frequentadores do Ilê Axé Tonan Onirê, mas para todas as pessoas que fazem parte de religiões de matriz africana.

"Assim como foi aqui, poderia ter sido em outro terreiro. Isso não pode acontecer", declarou.

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