Geral
por Gabriel Santana
Publicado em 20/04/2026, às 14h31
Nos últimos dias, a trend “Olha a Jéssica” vem tomando conta das redes sociais, em que pais falam com uma mulher hipotética e que fazem as crianças pararem de chorar e ficar com dúvidas.
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A frase funciona como uma técnica para parar com a birra causada pelas crianças, mas vem causando um debate entre psicólogos e educadores. De acordo com o g1, a medida que pode ser uma maneira lúdica para evitar esperneios, também tem risco de causar anulações das emoções infantis e não desenvolver a habilidade de autorregulação.
A “Jéssica” é um mecanismo psicológico chamado redirecionamento de atenção ou distração ativa. A partir do momento em que uma criança sofre uma crise, mergulha em uma mistura de emoções e sentimentos, mas como o seu cérebro ainda não desenvolveu a capacidade de processar o cenário, causa confusão. a psicóloga Bianca Dalmaso explica o caso.
O cérebro da criança troca de foco: sai do choro e vai para 'o que está acontecendo agora?'. Ela não necessariamente se acalmou, apenas suspendeu a reação motora naquele instante".
A criança para de chorar por birra porque o cérebro passa para uma outro cenário. O processo de chamar a “Jéssica”, seria semelhante a querer dizer “Olha o passarinho passando ali” como forma de mudar o foco da situação.
Mas, especialistas alertam que se o choro não for de birra ou pirraça, a técnica não vai ter o mesmo efeito. O mestre em psicologia, Bruno Jardini Mäder alega que a técnica deve ser usada após os pais analisarem o cenário que a criança está passando. Ele aponta que se o menor estiver irritado por fome ou cansaço, dificilmente chamar a Jéssica vai ser assertivo.
A técnica só é saudável em casos para desarmar a tensão da situação, mas a partir do momento que a frase se torna um agente de punição, passa a ultrapassar um limite ético e causar na criança um sentimento de medo para agir ou desenvolver falta de capacidade para se regular emocionalmente.
Especialistas apontam que mostrar as situações com os filhos na internet pode ser uma forma de espetacularização do sofrimento infantil, apenas para ganhar curtidas. Mostrar uma criança em situação de vulnerabilidade pode ser um vídeo engraçado, mas por exemplo, pode ser usado para comentários constrangedores à criança na escola futuramente.
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