Geral
Publicado em 10/04/2025, às 12h02 Vagner Ferreira e Dandara Amorim
Dez anos após o surto do Zika vírus no Brasil — uma doença que pode ser assintomática ou causar manchas vermelhas e dores nas articulações —, os impactos mais profundos ainda são sentidos por famílias cujos filhos nasceram com microcefalia e a Síndrome Congênita do Zika.
Nesta quinta-feira (10), o Centro de Cultura da Câmara Municipal de Salvador foi palco de uma audiência pública para relembrar a década desde o surto e debater os desafios enfrentados por essas famílias. O evento reuniu mães, representantes de Organizações Não-Governamentais (ONGs) e parlamentares, com o objetivo de cobrar políticas públicas e discutir o Projeto de Lei 6064/2023.
Jiliane Santos, mãe de Cássia Luanny, de 9 anos, compartilhou sua vivência com o BNews durante o evento. Para ela, cada dia é uma batalha emocional e física. “A vontade de desistir é total. Todos os dias a gente tem vontade de desistir. Mas quando a gente olha para essa criança, com todas as limitações e dificuldades que enfrenta, ressignificamos essa palavra e voltamos a lutar mais um dia. E vamos assim, vencendo um dia depois do outro”, desabafou.
A assistente social Sabrina Boaventura, da ONG Abraço a Microcefalia, destacou a importância do acolhimento contínuo às mães e do acesso à reabilitação especializada para as crianças. “A ONG foi essencial no acolhimento, não só social, mas também na reabilitação. Lá elas têm fisioterapia, fonoaudiologia, nutricionistas focados na dieta cetogênica. Além disso, é um espaço onde elas compartilham lutas e enfrentamentos”, afirmou.
Os enfrentamentos também marcam a vida de Janaína do Amor Divino, mãe de Eloah Jaíne, também com 9 anos. A criança está há três anos na fila do SUS para uma cirurgia ortopédica de alto risco, após desenvolver luxação no quadril e feridas causadas por escoliose severa. “Já percorri diferentes hospitais, mas não consigo a cirurgia dela. O Hospital Ortopédico de Cajazeiras é o único que pode fazer. A fila tem mais de 2 mil crianças”, relatou Janaína, que emocionada fez um apelo: “Peço a vocês que nos escutam que ajudem essas crianças. Elas precisam dessa cirurgia, e não só dessa”.
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O clamor por dignidade e acesso à saúde é constante. “A gente passa muitas dificuldades em relação aos direitos dessas crianças. O que buscamos é qualidade de vida para cada uma delas”, reforçou Jiliane.
A audiência, proposta pelo vereador Palhinha, também teve como foco o debate sobre o PL 6064/2023, que trata da proteção e dos direitos das crianças afetadas pela Síndrome Congênita do Zika.
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