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Sem IA eu não consigo: Pesquisa mostra que maioria dos brasileiros recorrem à IA para escrever mensagens pessoais

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Uma pesquisa revelou que 63% dos brasileiros utilizam IA para criar mensagens pessoais  |   Bnews - Divulgação Reprodução / Jakub Żerdzicki / Unsplash
Leonardo Oliveira

por Leonardo Oliveira

Publicado em 11/12/2025, às 08h12 - Atualizado às 09h44



Uma pesquisa revelou que 63% dos brasileiros já utilizam Inteligência Artificial (IA) para criar mensagens pessoais, indicando que, cada vez mais, as pessoas estão delegando o esforço mental à tecnologia. O levantamento, realizado pela consultoria Página 3, apresenta dados que mostram como a IA deixou de ser apenas um suporte para tarefas complexas e passou a influenciar até decisões íntimas e processos antes considerados intransferíveis.

O estudo, chamado “Mais do Mesmo”, analisou a relação entre excesso de estímulos, lógica algorítmica e a terceirização do pensamento para ferramentas de IA. A conclusão central é que, ao recorrer repetidamente à tecnologia para pensar e produzir conteúdo, o indivíduo começa a perder capacidade de formular opiniões próprias e de exercitar criatividade, resultando em uma homogeneização do pensamento.

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A pesquisa entrevistou 600 brasileiros de todas as classes sociais, todos com acesso à internet e conhecimento digital, e possui margem de erro de 4%. Entre os principais achados, destacam-se:

  • 63% já pediram para a IA escrever até mensagens pessoais.
  • 49% preferem consultar IA do que pessoas para tomar decisões.
  • 48% percebem que "todo mundo está ficando mais parecido".
  • 72% gostariam de ser mais autênticos.
  • 49% já receberam mensagens ou conteúdos “com cara de IA”.
  • 76% relatam mais dificuldade para conversar e se relacionar.

Impacto

A pesquisa mostra que o impacto da IA deixou de ser individual e passou a atingir o todo, mas é possível encontrar caminhos para evitar essa terceirização mental. 

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Ampliar o repertório cultural, participar de conversas longas, exercitar a escrita e o debate, se deparar com opiniões diferentes da própria, são algumas formas que podem ser utilizadas para combater a homogeneização da cultura.

De acordo com Sabrina Abud, da Página 3, uma das responsáveis pelo estudo, “quando tudo se torna parecido, o que acontece com a gente? Será que a nossa identidade também está se parecendo muito com a dos outros? Será que a gente está igual a todo mundo também?”, questiona.

“Além da pesquisa quantitativa, fizemos um aprofundamento qualitativo muito grande. Você pode de fato conseguir olhar para dentro e criar ações e rituais no seu dia a dia para você conseguir quebrar esses padrões”, diz Georgia René, outra idealizadora da pesquisa.

Um dos pontos que chamou a atenção de Sabrina foi a redução da lucidez, mostrada no estudo. “Quando a gente fala ‘menos lucidez’ é que as pessoas estão se descolando da realidade”, argumenta.

“É muito chocante a gente pensar que as pessoas estão se parecendo muito entre si porque o ChatGPT, por exemplo, fala que tudo é excelente, então você começa a achar que você é muito inteligente. Você tem a ilusão de que você está descobrindo alguma coisa, quando na verdade, não descobriu”, explica.

Classificação Indicativa: Livre

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