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Você fala sozinho e acha que é normal? Entenda o que isso significa

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Falar sozinho não necessariamente signifca algo ruim ou preocupante; entenda  |   Bnews - Divulgação Divulgação / Freepik
Lucas Pacheco

por Lucas Pacheco

lucas.pacheco@bnews.com.br

Publicado em 12/10/2024, às 19h29 - Atualizado às 21h29



Com certeza você que está lendo esta matéria já se pegou ou foi pego falando sozinho. Vai dizer que não? Às vezes, meditando sobre uma briga, fazendo notas mentais, caminhando pela rua, dirigindo, no trabalho, puxando a própria orelha por conta de um erro, refletindo  sobre uma situação, treinando uma conversa, uma nova língua ou, até mesmo, desabafando consigo próprio ou com um alguém imaginário que você jura que está te ouvindo. Saiba que muitas pessoas assumem que fazem isso. 

Mas será que esse hábito é normal ou simboliza algum problema?

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Segundo o médico psiquiatra João Pedro Wanderley, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em São Paulo, unidade de saúde considerada referência em medicina de alta complexidade, falar sozinho, muitas vezes, é uma estratégia natural para organizar pensamentos e reduzir o estresse e essa prática ajuda a estabelecer prioridades, manter o foco e, até mesmo, regular as emoções.

Para Larissa Fonseca, psicóloga do mesmo hospital, verbalizar alguns questionamentos importantes como “tranquei a porta?” ou “fechei o gás?” é uma prática que ajuda a reduzir a ansiedade relacionada à segurança. 

Em entrevista à coluna Viva Bem, do portal UOL, Juliana Casqueiro, psiquiatra do Hospital São Rafael, da Rede D'Or, na capital baiana, garante que, ainda que muitos interpretem como um comportamento estranho ou questionável, falar sozinho, na maioria dos casos, significa uma estratégia natural.

Muitas pessoas usam desse recurso para fixar prioridades mentais, estabelecer ordem para as informações, reduzir excessos, manter a centralidade, evitar distrações e dispersões.  Ainda de acordo com a psiquiatra, ao colocar para fora o que sente e escutar a si mesmo, o emocional se acalma e se autorregula.

Em suma, falar sozinho é visto como uma maneira de descompressão, uma alternativa para passar o tempo ou uma ferramenta extra de auxílio no dia a dia, sobretudo para quem mora sozinho ou passa a maior parte do tempo sem uma companhia por perto. 

Mas, quando pode ser um problema?

O psiquiatra João Pedro Wanderley chama atenção para o fato de que falar sozinho de forma isolada e esporádica não configura um problema. Entretanto, diálogos e conversas apartadas da realidade, que apresente um tom ameaçador, tenso, com gestos exagerados ou que assustem, podem sinalizar alguma condição mais séria que precisa de uma investigação médica, como esquizofrenia ou transtornos de humor.

E como avaliar quando é necessário procurar ajuda?

De acordo com especialistas, um primeiro ponto a ser observado é a frequência e a intensidade da conversa solitária. Outro aspecto a ser verificado é se os diálogos são conscientes e livres de sentimentos de perseguição, isolamento ou ameaça.

Caso não, o comportamento proporciona reflexão, combate a solidão, estimula a motivação e a compreensão de sentimentos de maneira mais profunda. Porém, se houve mudança significativa que possa indicar uma distorção da realidade, é bom procurar ajuda profissional. 

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