Meio Ambiente

BNews COP 30: Com foco na Amazônia, Conferência deixa engenheiros florestais em alerta

Fernando Frazão/Agência Brasil
Conferência que vai acontecer no Brasil está sendo chamada de ‘COP das Florestas’; veja motivo  |   Bnews - Divulgação Fernando Frazão/Agência Brasil
Vagner Ferreira

por Vagner Ferreira

Publicado em 15/07/2025, às 08h35 - Atualizado às 08h40



‘COP das Florestas’. É desta forma que está sendo chamada a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), que vai acontecer aqui no Brasil, mais especificamente em Belém, no Pará, entre os dias 10 e 21 de novembro. Esta é a primeira vez que o país vai liderar o evento, com discussões e ações globais voltadas à preservação e ao manejo sustentável das florestas, sobretudo da Amazônia. 

Para a engenheira florestal, Louise Gomes Passos, “a ‘COP das Florestas’, é um evento que simboliza uma oportunidade estratégica para colocar os biomas brasileiros no centro do debate climático global, em especial a Amazônia”, disse em entrevista exclusiva ao BNews. “O que pode mudar na política ambiental brasileira é a integração maior e mais forte entre as políticas climáticas, florestais e fundiárias, impulsionando também o fortalecimento de planos estaduais e municipais de combate ao desmatamento”, continuou. 

Já o engenheiro florestal e CEO da e-Biomas, Samir Abdalla, ressalta que a conferência, ao ser realizada na Amazônia, oferece uma oportunidade simbólica e prática para o país ao reposicionar o seu papel na agenda climática, apresentando modelos que integram conservação e crescimento econômico de forma concreta. 

“O Brasil tem enorme potencial para desenvolver cadeias produtivas sustentáveis em biomas como a Amazônia, a Caatinga e o Cerrado, com produtos como açaí, castanha, óleos vegetais, borracha nativa e fitoterápicos. Investir nessas cadeias com base científica, tecnológica e respeitando os saberes tradicionais é uma forma concreta de gerar renda local, reduzir a pressão sobre a floresta e promover inclusão produtiva”, disse ele ao BNews. 

Abdalla destaca que as mudanças climáticas representam um desafio transversal e lembra que o Brasil assumiu compromissos climáticos importantes no âmbito do Acordo de Paris, como a meta de reduzir em 43% suas emissões de gases de efeito estufa até 2030, além do alcance da neutralidade de carbono até 2050.

“Para cumprir essas metas de forma concreta e transformadora, o país precisa adotar um conjunto de políticas públicas integradas, que conciliam proteção ambiental, desenvolvimento econômico e inclusão social. Isso significa que o Brasil deverá fazer compensações com fontes de captura de carbono, plantio de florestas, recuperação de biomas e outras tecnologias”, explica o engenheiro florestal. 

Ele destaca também que, para atingir as metas de redução de emissões estabelecidas, é necessário a implementação de ações que promovam o desenvolvimento, a justiça social e a preservação ambiental de forma coordenada. “O cumprimento dos compromissos climáticos não deverá representar um obstáculo ao crescimento econômico, mas sim uma oportunidade estratégica para redefinir o modelo de desenvolvimento nacional, fundamentado em inovação, visão de longo prazo e inclusão”, acrescentou. 

Para Louise, o Brasil precisa adotar um conjunto robusto de políticas públicas, econômicas e ambientais, com ações não apenas na redução das emissões de gases de efeito estufa (GEE), mas também na promoção do desenvolvimento sustentável, equilibrando crescimento econômico, inclusão social e proteção ambiental.

“O impacto no desenvolvimento sustentável do país está na proteção dos recursos naturais e dos serviços ecossistêmicos (água, clima, biodiversidade), a melhora da imagem do Brasil internacionalmente, favorecendo exportações e investimentos sustentáveis”, concluiu

Papel do Engenheiro Florestal

Apesar de muitas pessoas não conhecerem, o Engenheiro Florestal é uma profissão que se dedica, dentre muitas funções, ao manejo das árvores, e é celebrado, todos os anos, no dia 12 de julho, com o objetivo de reconhecer e valorizar os profissionais que atuam na conservação e recuperação das florestas brasileiras. Esse reconhecimento é fundamental para destacar a importância desses especialistas na proteção da biodiversidade, no combate ao desmatamento e na promoção do uso sustentável dos recursos florestais, contribuindo diretamente para a preservação ambiental e para o equilíbrio climático do país.

Histororicamente, o ensino superior em ciências florestais, segundo Abdalla, teve início na Alemanha em 1911, influenciando a criação da profissão no Brasil para o manejo sustentável dos recursos. O primeiro curso surgiu em 1960, em Minas Gerais, e consolidou-se com a criação do IBDF em 1967 e com a aprovação do Código Florestal em 1965. Impulsionada por avanços tecnológicos como sensoriamento remoto, drones e biotecnologia, a profissão evoluiu para um papel estratégico no desenvolvimento sustentável, combinando conhecimento técnico, inovação e responsabilidade socioambiental.

“O aumento das demandas por práticas sustentáveis e a necessidade de profissionais qualificados para enfrentar questões ambientais emergentes reforçam a importância de um aprendizado contínuo e de uma formação sólida”, disse o engenheiro florestal.

Para Louise, um dos principais desafios atuais em relação aos avanços no desmatamento é conter essas pressões sobre os ecossistemas nativos. “Apesar da existência de leis ambientais, o desmatamento ilegal é um dos maiores problemas para os nossos biomas, atualmente tendo como principal gargalo a Amazônia, o cerrado e o pantanal”, disse ela. 

“É importante destacar também o aumento das secas, incêndios, pragas e alterações no ciclo hidrológico, que demandam o uso de novas técnicas para um manejo florestal mais eficiente e responsável. Nesse contexto, os planos de manejo precisam ser constantemente atualizados”, continuou. 

Por fim, Abdalla ressalta: “A demanda por profissionais e a empregabilidade em empregos verdes crescerão exponencialmente nos próximos anos, e precisamos estar preparados para atender também a essas exigências de forma eficaz. Entretanto, apesar da relevância da profissão, estamos enfrentando uma baixa procura pelo curso de Engenharia Florestal e altas taxas de evasão dentro da universidade. A escassez de profissionais preparados no mercado é um desafio significativo”, concluiu.

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