Meio Ambiente
por Vagner Ferreira
Publicado em 10/11/2025, às 09h10
A 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30) começa oficialmente nesta segunda-feira (10), em Belém, no Pará, e vai até o dia 21 de novembro. O evento vai discutir ações globais contra as mudanças climáticas e será realizado pela primeira vez no Brasil. Espera-se cerca de 50 mil pessoas nos encontros, entre chefes de Estados de diversos países, diplomatas, cientistas, membros da sociedade civil e diversas entidades privadas, conforme aponta o g1.
A conferência acontece desde 1995, com exceção apenas em 2020 por causa da pandemia. O nome faz referência a 197 países que firmaram um pacto ambiental das Organizações das Nações Unidas (ONU), chamado de Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (CQNUMC). O objetivo é reduzir a emissão de gases de efeito estufa na atmosfera.
Para este ano, os principais temas a serem discutidos são: transição energética, adaptação climática e financiamento. Anfitrião, o Brasil vai ficar à frente do roteiro político e técnico que vai determinar etapas, prazos e responsabilidades para a substituição do petróleo, gás e carvão por fontes renováveis e eficiência energética. A proposta é garantir uma transição justa.
“Estamos à beira de pontos de inflexão climáticos e da potencial perda da Amazônia, então, esta COP precisa, simplesmente, promover a mudança urgente necessária. Não há segunda chance e tudo começa com os líderes, que devem dar à COP30 um mandato claro para fechar a lacuna da ambição de 1,5°C", disse a diretora executiva do Greenpeace Brasil, Carolina Pasquali, na reportagem.
Objetivos centrais
Há dois temas centrais a serem abordados: o Objetivo Global de Adaptação (GGA) e o financiamento climático. O GGA, parte do Marco UAE–Belém para Resiliência Climática Global, busca medir o nível de preparação dos países diante dos impactos do clima. O principal desafio é garantir recursos estáveis, evitando que o mecanismo vire apenas algo simbólico.
Já no campo financeiro, os países em desenvolvimento defendem que a crise climática deve ser integrada à economia global. A conferência precisa avançar no Roteiro de Baku a Belém, que pretende mobilizar US$ 1,3 trilhão anuais até 2035, com juros baixos, mais doações e menos dívidas — condição essencial para viabilizar metas de descarbonização e adaptação.
A conferência também deve dar destaque a temas como o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), o fortalecimento dos mercados de carbono e o debate sobre racismo ambiental.
O TFFF, proposto pelo Brasil, é um mecanismo financeiro inovador baseado em investimentos de renda fixa, cujo lucro será usado para remunerar países que preservam suas florestas tropicais, como Brasil, Indonésia e Congo, sem depender de doações.
Expectativas
O governo Lula busca consolidar o Brasil como protagonista global da agenda climática e mediador entre o Norte e o Sul Global. O país chega à conferência com o objetivo de mostrar resultados concretos em transição energética e proteção florestal, reforçando seu papel político como anfitrião do evento.
O discurso de Lula defende uma transição energética justa, equilibrando a expansão das energias renováveis com o uso de combustíveis sustentáveis. Nesse contexto, o governo aposta no Compromisso de Belém pelos Combustíveis Sustentáveis (Belém 4X), que é uma parceria entre Brasil, Itália e Japão, que pretende quadruplicar o uso global desses combustíveis até 2035, com monitoramento da Agência Internacional de Energia (AIE).
O TFFF também aparece como uma das vitrines do país, com US$ 5,5 bilhões já anunciados, simbolizando um modelo inovador de financiamento climático baseado em investimentos e não em doações.
Entretanto, o governo enfrenta críticas de organizações ambientais, que alertam para o risco de o foco em combustíveis sustentáveis adiar a redução do uso de petróleo, especialmente após o licenciamento de novos blocos na margem equatorial.
Apesar de envolver muitas pessoas, algumas lideranças têm papéis centrais na condução da COP. Na presidência da conferência está o embaixador André Corrêa do Lago, responsável por mediar negociações entre mais de 190 países e conduzir um texto final equilibrado. Ele é capaz de conciliar os interesses de governos, ambientalistas e do setor privado sem comprometer os avanços climáticos.
Ao seu lado, Ana Toni, diretora-executiva da COP30, coordena toda a estrutura operacional da conferência, garantindo que as agendas avancem, os temas prioritários entrem na pauta e os grupos de trabalho cumpram os prazos.
Os resultados esperados da COP30 vão além de declarações políticas. O principal avanço esperado é em torno das metas climáticas (NDCs). Até o momento, pouco mais de 100 países apresentaram novas metas para 2035, conforme aponta a reportagem, mas elas ainda estão muito abaixo do esperado e cobrem apenas 30% das emissões globais, o que levariam a uma redução de 4% até 2035, quando a ciência indica a necessidade de cortar cerca de 60%.
Durante a pré-COP em Brasília, a ministra Marina Silva destacou que não há como falar em COP da implementação sem garantir os meios necessários. Ela reforçou que os países precisam assegurar recursos financeiros, humanos e tecnológicos para que as metas de redução de emissões e adaptação climática saiam do papel.
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