Meio Ambiente

COP29: Conferência apresenta pouco avanço no financiamento climático e chega a último dia

Cadu Gomes/VPR
Conferência está acontecendo em Baku, no Azerbaijão, desde o dia 11 de novembro  |   Bnews - Divulgação Cadu Gomes/VPR

Publicado em 22/11/2024, às 07h53   Publicado por Vagner Ferreira



Esta sexta-feira (22) é o último dia de negociações da 29º Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP29), que está acontecendo em Baku, no Azerbaijão, desde o dia 11 de novembro.

O evento, que tem como proposta definir repasse dos países desenvolvidos sob os países em desenvolvimento, houve pouco avanço em relação ao financiamento climático, que é o principal objetivo dos encontros. 

De acordo com informações do jornal O Globo, as propostas apresentadas solicitaram centenas de bilhões ou trilhões de dólares, mas nenhuma foi aceita pelas partes envolvidas. O Brasil, país sede da próxima Conferência, que vai acontecer em 2025, em Belém, está tentando mediar os acordos para chegar a um consenso. 

A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, declarou durante pronunciamento nesta quinta-feira (21) que as negociações precisam avançar. “Na COP28 em Dubai tivemos um excelente ganho em relação a mitigação e estamos em um bom caminho. Agora a aqui em Baku, o que precisamos é de um ganho em relação ao financiamento. Esta é a COP do financiamento, que pavimentará nosso caminho coletivo em ambição e implementação na COP30”, afirmou.

Uma das questões debatidas foi o repasse de US$ 1,3 trilhão anuais. Entretanto, os países em desenvolvimento argumentaram que para o valor ser definido, era necessário que os países em desenvolvimento apresentassem soluções e estivessem dispostos a assumir o compromisso de reduzir os gases de efeito estufa. 

A secretária de ambiente da Índia, Leena Nandan, lamentou que o foco das negociações tenha sido desviado. O país é um dos principais contemplados com o valor do repasse, até mesmo por possuir uma população com 1 bilhão de pessoas de baixa renda, além de possuir um sistema de energia precário.

“Estamos desapontados pelo fato de que estão desviando o foco quando chega a hora de assegurar que as ações de mitigação sejam totalmente apoiadas por uma provisão de finanças adequada”, disse, segundo a reportagem.

“Uma COP após a outra, nós continuamos a falar sobre o que precisa ser feito em ambição de mitigação, mas sem dizer como isso deve ser feito e viabilizado. Essa COP começou com o foco de viabilizar isso por meio das novas metas quantificadas de financiamento, mas quando nos aproximamos do fim, agora, vemos o foco mudar para mitigação”, continuou.

Em contrapartida, os Estados Unidos avaliam as metas como muito vagas. “É absolutamente crítico que esta conferência adote decisões fortes ao longo de todos os temas da agenda, seja em Nova Meta Quantificada Coletiva (NCQG, sigla em inglês) mas também em mitigação, adaptação e outros resultados” criticou o representante do clima dos EUA, John Podesta.

“Os EUA estão comprometidos com o sr. presidente da COP29 e com todos os outros países para atingir um resultado que seja equilibrado e ambicioso. Apreciamos seu esforço que nos trouxe até aqui, mas estamos francamente muito preocupados com o que vemos agora com um claro desequilíbrio no texto”, acrescentou.

A especialista em política climática do Observatório do Clima, Stella Herschman, que também está em Baku, se encontra otimista com as negociações finais. “As COPs são muito imprevisíveis e raramente terminam no horário marcado para terminar. A negociação pode ir até sábado ou domingo, e tudo depende muito de quanto as partes estão dispostas a abrir mão das posições que estão repetindo há duas semanas. Alguma coisa vai ter que mudar para as partes chegarem no meio do caminho”, disse, conforme reportagem do jornal O Globo.

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