Meio Ambiente
A transição para uma matriz energética mais limpa e sustentável tem ganhado força no Brasil, e a Bahia desponta como um dos protagonistas dessa mudança. Com abundância de recursos naturais e uma geografia favorável, o estado é líder nacional em geração de energia eólica, responsável por cerca de 32% da capacidade instalada do país, de acordo com a Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica).
Em entrevista ao projeto Junho Verde, o biólogo Francisco Mattos afirma que essa liderança não é por acaso: “A Bahia é um dos estados brasileiros mais privilegiados nesse campo. Temos três grandes fontes de energia verde já sendo bastante exploradas: a solar, a eólica e a biomassa. Quanto mais energia renovável a gente gera, menos dependemos do petróleo e do gás natural, e ainda ajudamos a combater diretamente as mudanças climáticas”.
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A biodiversidade baiana, presente nos biomas da Mata Atlântica e do Cerrado, também abre espaço para inovações sustentáveis. Espécies nativas como o pequi e o baru possuem sementes oleaginosas que podem ser transformadas em biocombustíveis, com o diferencial de não competirem com a produção de alimentos.
Já os ventos constantes e o relevo do Cerrado favorecem a instalação de aerogeradores, que alcançam fatores de capacidade superiores a 50%, bem acima da média mundial de 30%.
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Em Salvador e na região metropolitana, o potencial solar é igualmente promissor. Segundo o INMET, a capital baiana recebe mais de 2.800 horas de sol por ano, o que permite ampla adoção de sistemas fotovoltaicos. Ainda assim, desafios como o custo inicial de instalação, a burocracia para conexão à rede e a necessidade de modernização da infraestrutura elétrica impedem um avanço mais acelerado.
“Salvador já passou das 15 mil unidades consumidoras com geração solar conectada à rede, e a minha casa é uma delas”, afirma Mattos, destacando o crescimento do interesse pela energia solar na capital.
O impacto econômico e social da energia verde na Bahia também é significativo. Desde 2012, a energia eólica já gerou mais de 50 mil empregos diretos e indiretos no estado, além de movimentar setores como comércio, transporte e construção civil. Em 2023, a produção eólica evitou a emissão de 10 milhões de toneladas de dióxido de carbono na atmosfera.
É um ganho ambiental e social ao mesmo tempo”, resume o biólogo.
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Para acelerar a transição energética, políticas públicas e incentivos são fundamentais. Mattos destaca a importância de medidas como descontos no IPTU para imóveis que adotam energia limpa, linhas de crédito facilitadas como o FNE Sol do Banco do Nordeste, capacitação profissional para técnicos e engenheiros, além da desburocratização dos processos de conexão à rede.
“A energia verde é mais do que uma tecnologia: é uma oportunidade de mudar o nosso jeito de viver, de gerar riqueza sem destruir a natureza. E cada um de nós pode ser parte dessa transformação”, conclui Francisco Mattos.
O estado baiano, com seu potencial natural e crescente infraestrutura sustentável, mostra que o futuro da energia no Brasil pode e tende a ser cada vez mais limpo, renovável e inclusivo, ainda mais com o avanço exponencial das políticas ambientais.
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