Meio Ambiente
O racismo ambiental é um assunto que tem se tornado cada vez mais abrangente na sociedade brasileira. Ele consiste na desigualdade no impacto ambiental e também na mudança climática em comunidades mais marginalizadas, como indígenas, negras e outras minorias étnicas.
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Em entrevista ao BNews Junho Verde, Natureza França, gestora e presidente da Associação Cultural Quilombo Aldeia Tubarão e do Pontos Diversos Associação para Promoção da Diversidade Sociocultural e Ambiental, se aprofundou nas raízes do racismo ambiental e explicou que o tema é uma consequência de séculos de preconceito.
“As maiores dificuldades são acerca das demais injustiças sociais e culturais. O acesso à educação é limitado, restrito, tal qual o acesso a direitos básicos como saneamento, alimentação saudável, alimentação mínima, básica, moradia. Todos esses são direitos que são limitados aos grupos minoritários, então quando você pensa no racismo ambiental, você vai pensar que existe um processo de destruição que vem acontecendo há séculos”.
Questionada de que forma a educação ambiental deve ser implementada para o combate do racismo ambiental, Natureza responde com uma frase impactante: “normalmente quem escreve sobre as histórias não é quem vive”.
“É um grande problema de educação, porque quem está sofrendo os impactos não é quem está estudando sobre eles. A educação ambiental combate o racismo ambiental, toda a educação tem o papel de promover o conhecimento, o autoconhecimento, o conhecimento sobre si mesmo e sobre o lugar onde você vive, a história em que você está inserido”, concluiu.
Tmabém ouvida pela reportagem, Ana Lúcia dos Santos, responsável pelo terreiro inter religioso de matriz africana Kingong, no Quilombo Quingoma, em Lauro de Freitas, ressaltou a importância de denunciar casos de racismo ambiental.
"Devemos denunciar ao MPF, ambientalistas, imprensa, movimentos sociais e fazer manifestações e audiências públicas", disse.
Questionada sobre como o poder público deve atuar no combate ao racismo ambiental, Ana Lúcia opina que as autoridades devem "deixar de emitir licenças pra supressão da Mata Atlântica, parar de ceder as áreas verdes para os empreendimentos imobiliários, combater a máfia de terra dentro dos órgãos públicos e promover o tombamento das áreas sagradas".
Um censo divulgado em 2022 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelou que cerca de 9,1% da população brasileira não tem acesso à coleta direta ou indireta de resíduos. De todos os estados, o Maranhão lidera o ranking negativo com cerca de 30% dos seus moradores sem coleta. Conforme as especialistas, a urgência da implementação da educação ambiental no Brasil já é um grande passo no combate ao tema.
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