Meio Ambiente

Junho Verde: Moda sustentável ganha força diante dos impactos ambientais da indústria têxtil

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Consumo consciente, reutilização de peças e reaproveitamento de tecidos surgem como alternativas para reduzir os danos causados por um dos setores mais poluentes do mundo  |   Bnews - Divulgação Divulgação
Analu Teixeira

por Analu Teixeira

Publicado em 10/06/2026, às 05h00



A cada nova coleção lançada, vitrines são renovadas e tendências se multiplicam. O que muitas vezes passa despercebido pelos consumidores, no entanto, é o impacto ambiental escondido por trás das roupas. Responsável por elevado consumo de água, energia e recursos naturais, além da geração de toneladas de resíduos têxteis, a indústria da moda tem sido apontada como uma das atividades com maior impacto sobre o meio ambiente.

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Nos últimos anos, o debate sobre moda sustentável, economia circular e consumo consciente ganhou espaço entre empresas, especialistas e consumidores. O objetivo é repensar a forma como roupas são produzidas, consumidas e descartadas, reduzindo desperdícios e prolongando a vida útil dos materiais.

A moda está presente no cotidiano de milhões de pessoas, mas por trás das vitrines, tendências e lançamentos constantes existe uma indústria que figura entre as mais impactantes para o meio ambiente. O alto consumo de água, a geração de resíduos têxteis e o descarte acelerado de roupas têm impulsionado o debate sobre moda sustentável e consumo consciente em todo o mundo.

É justamente nesse cenário que atua a Mil Eco Sustentável, empresa baiana especializada na transformação de uniformes corporativos descartados em novos produtos. Segundo a fundadora, Adjaneara Costa, o foco do trabalho é evitar que grandes volumes de resíduos têxteis tenham como destino a incineração ou os aterros sanitários.

Reprodução/Mil Eco Sustentável

“Os uniformes não têm uma outra destinação a não ser a incineração ou o descarte nos aterros. A gente busca justamente evitar que isso aconteça e que esse material continue poluindo o meio ambiente”, afirma.

De acordo com a empresária, muitas empresas trocam seus uniformes devido a mudanças de marca, identidade visual ou reestruturações corporativas, gerando um volume significativo de resíduos que, na maioria das vezes, acaba descartado. A iniciativa busca inserir esses materiais novamente na cadeia produtiva, reduzindo impactos ambientais e estimulando práticas ligadas à economia circular.

Para Adjaneara Costa, um dos maiores desafios ainda é a falta de conscientização sobre o destino das roupas e tecidos descartados. Segundo ela, embora materiais como vidro, papel e plástico já façam parte das discussões sobre reciclagem, os resíduos têxteis ainda recebem pouca atenção da sociedade e do poder público.

Reprodução/Mil Eco Sustentável

A empresária defende a criação de políticas específicas para o setor e mais investimentos em iniciativas voltadas ao reaproveitamento desses materiais. “É necessário estimular esse debate e ampliar a conscientização sobre os impactos da moda. Estamos falando de uma indústria que consome grandes quantidades de água, energia e produtos químicos ao longo da cadeia produtiva”, destaca.

Nos últimos anos, no entanto, o tema da sustentabilidade passou a ganhar mais espaço entre empresas e consumidores. Segundo Adjaneara, existe uma preocupação crescente em torno da economia circular e do consumo responsável, embora ainda seja necessário ampliar o acesso à informação sobre os benefícios ambientais e sociais dessas práticas.

Uma das alternativas que vêm ganhando força nesse cenário é a moda circular. Em Salvador, o Brechó QuerUsar acompanha de perto essa mudança de comportamento. A sócia do empreendimento, Tatiana Figliuolo Jucá, conta que o negócio nasceu em 2018, inicialmente como uma atividade terapêutica durante um processo de recuperação de burnout e depressão.

O que começou de forma despretensiosa acabou se transformando em um projeto voltado para o empreendedorismo social e sustentável. Desde então, a empresária percebe uma mudança significativa na forma como os consumidores enxergam os brechós.

“Com o tempo, as pessoas começaram a enxergar o brechó não apenas como uma alternativa econômica, mas também como uma escolha consciente. A pandemia acelerou muito esse movimento porque trouxe reflexões sobre consumo, desperdício e prioridades”, explica.

Para ela, a lógica da fast fashion, caracterizada pela produção acelerada e pelo incentivo ao consumo constante, está diretamente relacionada a problemas ambientais cada vez mais evidentes. O setor é apontado como um dos que mais consomem recursos naturais e geram resíduos em todo o planeta.

“O consumo exagerado de roupas e a lógica da fast fashion têm impactos ambientais muito sérios. O brechó surge como uma alternativa sustentável ao prolongar a vida útil das peças e reduzir descartes desnecessários”, destaca.

Além da comercialização de roupas de segunda mão, o QuerUsar também investe em reforma e customização de peças, reforçando a ideia de reaproveitamento. Segundo Tatiana, muitas roupas podem ganhar uma nova vida com pequenos ajustes, evitando que sejam descartadas prematuramente.

A mudança de comportamento também é percebida pelos consumidores. A estudante de Farmácia Andreza Victória Santos, de 21 anos, compra peças em brechós há cerca de quatro anos. Inicialmente atraída pelos preços mais acessíveis, ela afirma que passou a compreender melhor os impactos ambientais da indústria da moda após ingressar nesse universo.

“Eu fui buscar mais informações depois que comecei a frequentar brechós. Percebi que não se trata apenas de vender roupas mais baratas, mas também de questões sociais, ambientais e sustentáveis”, relata.

Ela acredita que ainda existe certo preconceito em relação às roupas de segunda mão, mas observa uma mudança significativa nos últimos anos, principalmente entre os mais jovens e nas redes sociais.

“Dentro do meu ciclo social percebo que isso mudou bastante, mas ainda existe preconceito. Mesmo assim, vejo cada vez mais pessoas aderindo a esse tipo de consumo”, afirma.

Para Andreza, pequenas escolhas podem gerar grandes impactos quando adotadas de forma coletiva. A estudante defende que prolongar o uso das roupas é uma forma de reduzir a quantidade de resíduos gerados e minimizar danos ambientais.

“Roupas demoram anos para se degradar. Quando a gente encontra novas formas de utilizá-las, dá um novo propósito para essas peças e evita que elas se transformem em poluição ambiental”, conclui.

Embora a moda sustentável ainda represente uma parcela pequena do mercado, especialistas e empreendedores concordam que a discussão está cada vez mais presente entre consumidores. O avanço da economia circular, o fortalecimento dos brechós e iniciativas de reaproveitamento de tecidos apontam para uma mudança gradual de comportamento, que busca equilibrar estilo, consumo e responsabilidade ambiental.

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