Meio Ambiente
por Leonardo Oliveira
Publicado em 18/06/2026, às 05h00
Tratar sobre mobilidade urbana e transporte sustentável é buscar entender o modelo de deslocamento que prioriza o transporte coletivo, a mobilidade ativa, como caminhar ou andar de bicicleta, e o uso de energias limpas, com o objetivo de reduzir a emissão de poluentes, os congestionamentos e os acidentes, na garantia de acessibilidade, inclusão e melhor qualidade de vida para a população.
Quando se fala de Salvador, é possível notar que a capital baiana tem passado por uma mudança gradual no jeito de se locomover pela cidade, com a expansão de ônibus elétricos, BRT, ciclovias e integração com o metrô, na busca de deixar para trás um modelo dependente do carro e do diesel, apostando em soluções de menor impacto ambiental e maior eficiência urbana.
Ainda assim, com uma população estimada em 2,564 milhões de habitantes e alta densidade demográfica, há desafios de transportar muita gente em uma malha urbana complexa, com desigualdades de acesso e infraestrutura ainda incompleta.
Nos últimos anos, a cidade passou a adotar medidas alinhadas à mobilidade sustentável. O PlanMob Salvador foi desenhado com horizonte até 2049 e prioriza transporte coletivo, mobilidade ativa, acessibilidade universal e integração entre modais. Até o momento, na prática, isso se traduziu em expansão do BRT, adoção de ônibus elétricos e investimentos em ciclovias, ciclofaixas e ciclorrotas.
Em entrevista ao BNews Junho Verde, o secretário municipal de Mobilidade (Semob), Pablo Souza, destacou que Salvador possui um plano de mobilidade urbana sustentável e avança com renovação de frota, ônibus elétricos, expansão cicloviária e integração entre modais. Ele também pontua que os projetos buscam combinar modernização do transporte público com redução de emissões e políticas mais humanas de mobilidade.
"A cidade trabalha com uma entrega de ônibus novos já no ano de 2026. É a maior entrega de ônibus da história da cidade. A gente tem em torno de 700 ônibus que serão entregues nesse segundo semestre à população. A gente sabe os desafios que vive o transporte público em todo o país, no dia a dia, principalmente depois dos impactos da pandemia. Essa primeira leva de entrega de ônibus, ela é uma entrega que vai possibilitar a gente inserir modelos Euro 6, que são modelos menos poluentes e são todos zero quilômetro, com ar-condicionado, tem uma percepção de qualidade também interessante para os usuários", conta.
Pablo ainda reforça que existe um processo muito forte de renovação na busca de entregar uma redução de emissões a partir dos ônibus Euro 6 que vão ser implantados e, em paralelo a isso, existem outras estratégias.
"Salvador é uma cidade que também tem um plano cicloviário que desenha alguns caminhos para chegarmos numa expansão da malha. Hoje nós temos a quinta maior malha cicloviária do Brasil, em torno de 320 km entre ciclovias, ciclofaixas e ciclorrotas. Temos uma expansão para chegarmos a 700, que é o modelo ideal que a cidade busca num raio de 10 anos. Temos trabalhado para isso. Fizemos no ano passado a implantação dos patinetes elétricos, que são um modal de microacessibilidade naqueles deslocamentos mais curtos e que apoiam uma redução também de emissões nos trajetos menores. E Salvador tem oito ônibus elétricos hoje na sua frota", explica o secretário.
Recentemente, Salvador venceu a Sustainable Transport Award (STA) 2026, considerada a maior premiação do mundo na área de mobilidade sustentável. A cidade foi premiada pela expansão e modernização do BRT Salvador, com a incorporação de ônibus elétricos, implantação de um eletroterminal de recarga e melhorias em acessibilidade para pessoas com mobilidade reduzida ou deficiência. O programa Mulheres no Volante, voltado à inclusão feminina no setor de transporte urbano, também foi citado pelo instituto.
Ao falar sobre o futuro da mobilidade sustentável em Salvador, Pablo ressaltou a importância da integração tarifária e da expansão do BRT para reduzir a dependência de veículos automotores. Ele afirmou que o usuário pode usar até três modais sem pagar mais por isso e citou planos de expansão entre Pirajá, Orla, aeroporto e Pituba.
Sistema de trilhos
Já a Seplan revelou ao BNews Junho Verde que os investimentos em sistemas sobre trilhos na capital e RMS já superam R$ 8,5 bilhões, abrangendo a expansão do VLT, a ampliação do metrô e intervenções urbanas associadas. As ações buscam integrar os diferentes modais, eliminar gargalos históricos na busca de promover mais qualidade de vida, conectividade e dinamismo econômico para a população.
Há uma agenda estruturada de Estado, ancorada no planejamento estratégico conduzido pela Secretaria e alinhada às diretrizes do Plano de Desenvolvimento Integrado (PDI) Bahia 2050, especialmente no eixo de competitividade sistêmica, que orienta a consolidação de uma matriz produtiva integrada, eficiente e territorialmente equilibrada.
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